Mesmo de noite, onde a luz das palavras pode revelar ou o olhar pode dizer e depois amanhecer, clarear...
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quarta-feira, 6 de março de 2019
terça-feira, 6 de março de 2018
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Bom ano!
Há uma quietude tão bonita no silêncio de momentos guardados onde prazerozamente se fica. E depois há o tempo a voar...e sombras de libelinhas... e sempre a quietude...
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terça-feira, 26 de setembro de 2017
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
A D. Fernanda
Ninguém gosta de ficar internado. Ou se está doente, ou para lá se caminha, e mesmo quando os filhos vão nascer é uma viagem com desejo rápido de regresso a casa. Mas se tem que ser, e foi o caso, assim seja. Por uma noite. Só uma noite. Não me deu o sono até me pedirem que engolisse de uma só vez dois comprimidos. Fique descansada, são só para ficar meia sonolenta. Comecei logo a pensar: mau...agora vão fazer-me perguntas e eu no embalo ainda respondo segredos meus. Engoli. Seja o que deus quiser. O resultado esperado aconteceu, fiquei sonolenta. Foi então que prometi descansar, e ler até subir para o bloco operatório. Dá-me licença, vai ter aqui uma companhia ao seu lado, diz a enfermeira ao entrar no quarto com um sorriso nos lábios. Olhei, vi uma senhora pousar no chão a sua mala azul de cadeado brilhante, o que me levou logo a crer ser uma mulher prevenida. E pensar eu que devia ter arranjado um cadeado para a minha pequena mochila... Não está com cara de doente?! Não, não, é coisa sem grande importância. Vimos as duas para o mesmo então, diz a minha companheira de quarto. "Companheira de quarto" é uma expressão tão militar, nunca fui à tropa mas sinto-a assim. Pois, disse eu. É a vida, diz a D. Fernanda. Mulher de cabelo vermelho, grande porte, voz clara e com tom bastante audível. A minha filha é que devia estar aqui, mas desteta hospitais. Foi desde o pai, mas eu digo-lhe: Carla tens que ultrapassar isso na tua ideia. A minha Sandra é diferente, essa vai logo onde tem que ir. E tem que ser assim, não acha? sim, sim, claro. Sentada na minha cama, marco o livro com os meus óculos e fico a olhar para esta mulher que fala enquanto olha pelo vidro e deixa o cotovelo entregue ao parapeito da janela. O pai era muito amigo delas, continua... e bom homem que era. Trabalhou a vida inteira atrás de um balcão. O patrão até dizia que ele não era um empregado, ele era um filho da casa! Coitadinho, sofreu dois meses e depois olhe...ficamos cá nós. Quando me pediu em casamento é que foi, o que ele afinou com o meu pai: "então você é o tal rapaz que trabalha no rei das peúgas?" O que ele foi dizer ao meu marido, uma vida a trabalhar no rei das meias, um orgulho para ele e para nós(risos). E o avô que ele era... as netas adoram-no. O que me salva é o trabalho, são as minhas colegas e as netas e isso... A D.Fernanda foi falando, eu fui ouvindo , o seu olhar parava lá fora quando falava do marido que perdeu há dois anos, mas que toda a vida se lembra estar a seu lado. As netas, as colegas do seu trabalho, até do genro da filha mais nova... ainda sorrimos as duas, ainda lhe disse algumas das minhas parvoíces. Voltamos a sorrir. Quando voltei ao quarto a D. Fernanda já tinha saído. Não lhe desejei as melhoras e a ultima vez que nos cruzamos foi quando eu saí do bloco operatório e ensonada lhe desejei boa sorte. Gostei tanto de conhecer a D.Fernanda! Foi só uma noite, coisa sem importância.
domingo, 11 de outubro de 2015
E depois o sol vai dormir...
É sempre assim quando chegamos da praia, as conversas entre amigos sentam-se aqui. Os mesmos risos, que sabemos de cor... as piadas sempre tão disparatadas, inesperadas, inesgotáveis, únicas. Cada piada tem uma voz diferente. Não somos todos iguais. As cadeiras vão ficando ocupadas, na cozinha está o jantar. Vais tu ver o lume? deixa, eu vou. Ouve-se um grito, mais um susto para nos fazer rir. Mais gargalhadas. Agora a sério, querem saber... sentimos nos olhares o silêncio esperado, mas que se quebra com mais sorrisos. É sempre assim... com os amigos do coração, é sempre assim. E depois o sol vai dormir...
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sábado, 19 de setembro de 2015
13 velas
"Mãe, no meu dia de aniversário gostava de estar com os meus amigos e família!"
*Estes são os momentos que mais gostamos de abraçar. Assim será :)
**Parabéns meu querido filho Duarte!
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quinta-feira, 23 de julho de 2015
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Insónia
Quando
a imagem
aparece
deitada
nos meus olhos
fechados
e eu abro mão
do escuro
até ser
manhã
a imagem
aparece
deitada
nos meus olhos
fechados
e eu abro mão
do escuro
até ser
manhã
quarta-feira, 13 de maio de 2015
sábado, 18 de abril de 2015
50 cêntimos
Mãe, hoje deram-me cinquenta cêntimos a mais na venda das rifas dos escuterios. Estava um rapaz a tocar na rua e eu estive a ouvir. Gostei e deixei-lhe a moeda dentro de uma caixa que tinha à sua frente. Ele sorriu para mim e perguntou-me se eu queria ouvir alguma canção em particular. Disse-lhe que não (envergonhado este meu filho). Perguntou se eu sabia tocar viola e se queria tocar alguma coisa. Toquei (pouco envergonhado este meu filho). Sabes o que aconteceu? a caixa ficou com mais moedas, e à nossa volta mais pessoas!
*com a devida autorização do meu menino envergonhado, aqui ficam os sorrisos registados!
** gosto de melodias assim... gosto mesmo!!
quinta-feira, 19 de março de 2015
Podemos (com) aquilo que somos...
Ainda que mal pergunte
ainda que mal respondas
ainda que mal te entenda
ainda que mal repitas
ainda que mal insista
ainda que mal desculpes
ainda que mal me exprima
ainda que mal me julgues
ainda que mal me mostre
ainda que mal me vejas
ainda que mal te encare
ainda que mal te furtes
ainda que mal te siga
ainda que mal te voltes
ainda que mal te ame
ainda que mal o saibas
ainda que mal te agarre
ainda que mal te mates
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio
me salvo e me dano: amor.
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sexta-feira, 6 de março de 2015
Quando o que foste, pode ser para sempre o que tanto serás...
* para a minha querida amiga Margarida, onde quer que esteja...
** para o meu querido pai... ele sabe o quanto...
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Para sempre
... contigo ... haverá música no meu coração...
*Parabéns pelos teus doze anos, meu querido filho Duarte!
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quarta-feira, 23 de julho de 2014
Trago em mim este amor infinito ...
Faz hoje vinte e um anos que nasceste. Tudo aquilo que até aí eu vivia de uma determinada forma, ganhou desde esse dia forma única. O meu olhar duplicou, todos os outros sentidos também. Os passos menos cautelosos experimentaram ficar mais cautelosos, e até hoje e para sempre não deixarei de andar contigo no meu coração. Os medos começaram a ter outro lugar, estenderam-se para além de mim... já os sonhos, dobraram no meu peito. Comecei a encontrar mais linhas no horizonte, a saber perder-me no tempo... e a perder-me com mais tempo... olhar tudo mais longe. Hoje, quando lembro o dia em que pela primeira vez te segurei nos meus braços acabada de nascer, parece-me um sonho, um sonho que trago em mim todos os dias para viver. Trago um sorriso infinito de partilhas, mesmo quando abro o armário à procura da minha camisa preferida e a encontro vestida em ti. Hoje trago em mim a felicidade de reunir os amigos e família para te festejar... trago este amor infinito que nos une e que o teu sorriso espelha no olhar... Parabéns, minha querida filha Madalena!
terça-feira, 8 de julho de 2014
Conversa ao jantar... com final (in)esperado
... hoje deram-me trinta e cinco anos!
Oh mãe, as pessoas dizem sempre coisas assim para serem simpáticas! Eu lembro-me que na primária quando fazia um desenho e depois dizia aos meus amigos que não gostava nada dele, eles depois diziam sempre: Oh Duarte, tá bué da giro! É sempre assim mãe...
E então Duarte, diz-me lá qual é a moral da história?
A moral da história mãe? (sorriso de sempre quando vem disparate... )
O menino aprendeu a andar de skate!
quinta-feira, 22 de maio de 2014
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
sábado, 12 de outubro de 2013
Há sempre um poema para uma manhã de acordar mais cedo... bonita manhã...
Estar só é estar no íntimo do mundo
Por vezes cada objecto se ilumina
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma planta
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo
António Ramos Rosa
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