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quinta-feira, 19 de março de 2015

Podemos (com) aquilo que somos...



Ainda que mal pergunte 
ainda que mal respondas 
ainda que mal te entenda 
ainda que mal repitas
ainda que mal insista 
ainda que mal desculpes 
ainda que mal me exprima 
ainda que mal me julgues 
ainda que mal me mostre 
ainda que mal me vejas
ainda que mal te encare 
ainda que mal te furtes 
ainda que mal te siga
ainda que mal te voltes 
ainda que mal te ame
ainda que mal o saibas 
ainda que mal te agarre 
ainda que mal te mates 
ainda assim te pergunto 
e me queimando em teu seio 
me salvo e me dano: amor. 


Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Cartão de Natal

"Se tudo tem um futuro, esse futuro apenas se pode construir com o presente".

Joaquim Pessoa

*hoje não há fotografias nesta loja... hoje não é o meu olhar... é o vosso, ao lerem estas palavras...
**Feliz Natal, escrito com letrinhas de fazer nascer paisagens com vista para a alma...

domingo, 3 de novembro de 2013

Será que os pássaros também partem tristes...


... e levam palavras encerradas no peito ...
quando nas asas moram desejos de amanhecer ...


*o título deste post , pertence ao brilhante livro (também musical) "Emigrei, chove música nas minhas mãos, Será que os pássaros também partem tristes?", com texto de Maria João Saraiva, prima desta senhora minha amiga :) Parabéns Joni!


terça-feira, 22 de outubro de 2013

"Não, eu só vou se for para ver uma estrela aparecer...


... na manhã de um novo amor..."

* nasci a ouvir Vinicius de Moraes, sei de cor... mas sempre que oiço os seus versos cantarem, descubro mais, muito mais... e é desta "ponte" tão real entre versos e a vida, que vive (para mim eternamente)  o canto das palavras de um poeta como Vinicius!

domingo, 20 de outubro de 2013

terça-feira, 24 de setembro de 2013

"No encontro e no abandono, na última nudez "



"Desejaria enrolar-me numa folha e dormir na sombra."

António Ramos Rosa


sábado, 14 de setembro de 2013

Caminhando ...



"Não penses. Que raio de mania essa de estares sempre a querer pensar. Pensar é trocar uma flor por um silogismo, um vivo por um morto. Pensar é não ver. Olha apenas, vê. Está um dia enorme de sol. Talvez que de noite, acabou-se, como diz o filósofo da ave de Minerva. Mas não agora. Há alegria bastante para se não pensar, que é coisa sempre triste. Olha, escuta. Nas passagens de nível, havia um aviso de «pare, escute, olhe» com vistas ao atropelo dos comboios. É o aviso que devia haver nestes dias magníficos de sol. Olha a luz. Escuta a alegria dos pássaros. Não penses, que é sacrilégio".

Vergílio Ferreira, "Conta-corrente"


*descaradamente roubado... daqui!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

domingo, 1 de abril de 2012

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Se eu voasse num verso


De que vale ter voz
se só quando não falo é que me entendem?
De que vale acordar
se o que vivo é menos do que sonhei?


Mia Couto


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Sei que não vou por aí

*... ao ler por aqui...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Sei lá




Tem dias que eu fico
Pensando na vida
E sinceramente
Não vejo saída
Como é, por exemplo
Que dá pra entender
A gente mal nasce
Começa a morrer
Depois da chegada
Vem sempre a partida
Porque não há nada
Sem separação

Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, sei lá
Só sei que ela está com a razão

Ninguém nunca sabe
Que males se apronta
Fazendo de conta
Fingindo esquecer
Que nada renasce
Antes que se acabe
E o sol que desponta
Tem que anoitecer
De nada adianta
Ficar-se de fora
A hora do sim
É um descuido do não

Sei lá, sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Eu sou pelo avesso


Sou sua noite
sou seu quarto
se você quiser dormir
eu me despeço
eu em pedaços
como um silêncio ao contrário
enquanto espero
escrevo uns versos
depois rasgo
sou seu fado
sou seu bardo
se você quiser ouvir
o seu eunuco
o seu soprano
um seu arauto
eu sou o sol da sua noite em claro
um rádio
eu sou pelo avesso sua pele
o seu casaco
se você vai sair
o seu asfalto
se você vai sair
eu chovo
sobre o seu cabelo pelo seu itinerário
sou eu o seu paradeiro
em uns versos que eu escrevo
depois rasgo
.
*Este belíssimo poema pertence a “Uns Versos” de Adriana Calcanhoto… ando a ouvir esta música repetidamente… ando a percebe-la muito melhor… ou cada vez menos… pelo menos, ando a entender-me com ela… falta-me o ar, quando na melodia oiço “eu sou pelo avesso”… mas é quando respiro melhor...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

"Estou falando alto para que você me escute..."

Leite Darramado, Chico Buarque.

Gosto de ouvir histórias, ou pedaços delas… e gosto muito de as ouvir na voz de quem as escreve. Esta, é uma voz muito especial para mim…

domingo, 21 de junho de 2009

Gente quer saber o um


.
Gente olha pro céu
Gente quer saber o um
Gente é o lugar
De se perguntar o um
Das estrelas se perguntarem se tantas são
Cada, estrela se espanta à própria explosão
Gente é muito bom
Gente deve ser o bom
Tem de se cuidar
De se respeitar o bom
Está certo dizer que estrelas
Estão no olhar
De alguém que o amor te elegeu
Pra amar
Marina, Bethânia, Dolores,
Renata, Leilinha,
Suzana, Dedé
Gente viva, brilhando estrelas
Na noite
Gente quer comer
Gente que ser feliz
Gente quer respirar ar pelo nariz
Não, meu nego, não traia nunca
Essa força não
Essa força que mora em seu
.
Coração
Gente lavando roupa
Amassando pão
Gente pobre arrancando a vida
Com a mão
No coração da mata gente quer
Prosseguir
Quer durar, quer crescer,
Gente quer luzir
Rodrigo, Roberto, Caetano,
Moreno, Francisco,
Gilberto, João
Gente é pra brilhar,
Não pra morrer de fome
Gente deste planeta do céu
De anil
Gente, não entendo gente nada
Nos viu
Gente espelho de estrelas,
Reflexo do esplendor
Se as estrelas são tantas,
Só mesmo o amor
Maurício, Lucila, Gildásio,
Ivonete, Agripino,
Gracinha, Zezé
Gente espelho da vida,
Doce mistério

.
.......Gente
(Caetano Veloso)

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Palavras vestidas (ao virar da esquina)


Nós somos loucos, não somos?
Desta louca poesia,
Desta riqueza dos pobres
Que se chama fantasia!
.
Ergamos pois nossa tenda
E nosso lar de pobreza
No mais ermo desses montes,
No fundo da natureza..
.
Se o frio apertar connosco,
Pois não temos mais calores,
Aqueceremos os membros
Na fogueira dos amores!
.
Se for grande a nossa sede,
Tão longe da fonte fria,
Contentar-nos-emos, filha,
Com as águas da poesia!
.
Assim à nossa pobreza
Daremos a Imensidade...
Que com isto se contente
Nossa pouca seriedade.
.
E, pois somos loucos, vamos
Atrás dos loucos mistérios...
Deixemos ricas cidades
Ao sério dos homens sérios!
.
Antero de Quental
(Primaveras Românticas)
.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Este livro nas minhas mãos

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Desfolho o livro devagar e a minha vida lá dentro encontra a tua mão, que em cada palavra teima em se aproximar… e assim leio os teus olhos nos meus... e só assim eu vivo… quando tu chegas para viver também...
.

terça-feira, 10 de março de 2009

Revelação

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"Não sei, mas eu me aproximava com angustiada idolatria de alguma coisa, e com a delicadeza de quem tem medo. Eu estava me aproximando da coisa mais forte que já me aconteceu.
Mais forte que esperança, mais forte que amor?
Eu me aproximava de que eu acho que era - confiança. Talvez seja este o nome. Ou não importa: também poderia dar outro.
Senti que o meu rosto em pudor sorria. Ou talvez não sorrisse, não sei. Eu confiava."

Clarice Lispector

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*há palavras que nos vêm parar às mãos... eu chamo a esse encontro, relvelação.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Mas que sei eu

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Mas que sei eu das folhas no Outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?
Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono
Nenhum súbito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha
qualquer. Mas eu sei que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha

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Ruy Belo

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*O título deste post é o nome deste poema, de um poeta preferido, Ruy Belo