..."até a lua se arrisca num palpite, que o nosso amor existe, forte ou fraco, alegre ou triste..."* Madalena: uma das cançoes preferidas.
**Elis Regina: uma escolha desde sempre.
Mesmo de noite, onde a luz das palavras pode revelar ou o olhar pode dizer e depois amanhecer, clarear...
Pousei o livro aberto no chão e deitei-me. Eu não aguentava agora nem mais uma linha. O meu peito pulsava, era o amor ali, descrito, vivo e cheio de mim e de ti, de nós. Ele sabe tudo de nós! Como é que alguém que não nos conhece escreve o que nós vivemos? Os lugares não são ali, o “tu” e o “eu” também não somos nós, mas o amor … os passos, os abraços, a voz, a nossa voz, as palavras entrelaçadas no corpo, os silêncios na promessa calada de um dia, quem sabe … e o medo de se pensar, quem sabe... Não consigo ler o fim. Não quero. Nem sempre é uma questão de não querer. Pode ser muito intenso, e não se conseguir deixar de querer. Marco o livro aqui? o meu peito não vai aguentar. Não, não marco o livro aqui, o livro aberto no chão vai ficar assim, enquanto eu morrer de amor por ti.

Vou brincando como se num carreiro de letras me equilibrasse… abro os braços para não cair nem para a esquerda, nem para a direita. O meu corpo espreita e o carreiro estremece palavras soltas, sem sentido, e eu não caio. Mais uns passos, e eu sei que no final da frase a brincadeira tem fim. Eu já sei o fim. Eu abro os braços e leio no carreiro das letras que piso, as palavras soltas escritas para mim. 



