domingo, 14 de setembro de 2008

Elis

..."até a lua se arrisca num palpite, que o nosso amor existe, forte ou fraco, alegre ou triste..."




* Madalena: uma das cançoes preferidas.

**Elis Regina: uma escolha desde sempre.

sábado, 13 de setembro de 2008

Navegar

... olhar as estrelas caídas do céu. Naufragar?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Marcador

Pousei o livro aberto no chão e deitei-me. Eu não aguentava agora nem mais uma linha. O meu peito pulsava, era o amor ali, descrito, vivo e cheio de mim e de ti, de nós. Ele sabe tudo de nós! Como é que alguém que não nos conhece escreve o que nós vivemos? Os lugares não são ali, o “tu” e o “eu” também não somos nós, mas o amor … os passos, os abraços, a voz, a nossa voz, as palavras entrelaçadas no corpo, os silêncios na promessa calada de um dia, quem sabe … e o medo de se pensar, quem sabe... Não consigo ler o fim. Não quero. Nem sempre é uma questão de não querer. Pode ser muito intenso, e não se conseguir deixar de querer. Marco o livro aqui? o meu peito não vai aguentar. Não, não marco o livro aqui, o livro aberto no chão vai ficar assim, enquanto eu morrer de amor por ti.
*os livros a marcar a minha vida ...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Num salto


Só me apetece chegar aí!

É obra!


O “mundo” entrou na minha escola, isto está um caos! Montes de areia, ferros, betoneiras, pás, vassouras, arames por todo o lado, pregos, martelos … e homens de várias partes do globo, incluindo regiões do nosso grande rectângulo com vista para o Oceano Atlântico. Eles “é” Moldavos, Alentejanos, Visienses, Alfacinhas, Minhotos, Transmontanos, eu sei lá! Mas é melódico, muito mesmo: “menina, ei menina por fabor onde posso ir beber a iágua?” ou então ainda assim: “a maneiras que, boltando à cumbersa” ou, “eu gostar de encontrar umas pá pra varrer isso, istô aqui assi”. Sinto tão verdadeira aquela célebre frase “Vá para fora cá dentro”! Sinto-me a viajar no meio do trabalho, fantástico!!! Mas o que eu queria mesmo contar no meio desta conversa é que gosto destas pessoas que aqui estão há já alguns dias. São delicadas, atenciosas e estão a contribuir para que a minha escola fique linda! Outro dia estava um grupo a almoçar num dos recreios e eu aproximei-me: “Não querem que vos vá arranjar uma mesa e cadeiras para almoçarem sentados?”, eu queria dizer sentados à mesa… olharam todos para mim com um sorriso e um deles … “menina nós estamos sentados, não vê? é servida?”, “não obrigada já fiz o mesmo”. Juro que era rapariga para me sentar naquela mesa, onde a conversa "cantava" fluidamente melódica. Gosto de ouvir estes sons diferentes que as línguas têm. Gosto mesmo. Vou sentir falta quando partirem. Vou lembrar-me sempre do que fizeram.


*a vontade de escrever este texto nasceu da fotografia "Sinais" do meu amigo Yanneck, no Olhar Macro.

** há obras por todo o lado, até no beco mais escondido...

Encontrar


… descobrir uma cassete com pelo menos vinte e cinco anos de existência. Ganhei o dia, ou a noite neste caso.

*estou tão contente!!!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Sei de ti

Sei de ti no cheiro que deixaste nas minhas mãos e no olhar profundo e longo dos teus beijos. Dos beijos. Sei de ti por todo o lado e no silêncio cego de não te ver. Só sei de ti por te querer.

Sonho espelhado

... vem lá agum?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Pedido apagado


Eu hoje queria o sol.

*As fotos desta etiqueta são captadas mesmo pelo meu olhar.


Vem aí um Anjo !

Mesmo fechados, os olhos dos bebés fazem-nos perguntas.
Parabéns, Dani e Jorge.

Pedido escuro


Vou chamar um sonho, não quero ir dormir !

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Muito Meu Amor !


Foi na feira do livro. Em bicos dos pés espreitei para a barraquinha, sempre gostei muito das barraquinhas da feira do livro apesar da altura, da minha claro. É amor eterno, eu com as barraquinhas. “Diga-me por favor, Noiva Judia do Pedro Paixão, ou Asfixia, tem?”. “Noiva Judia não, Asfixia sim e olhe ele está mesmo aqui, quer lá ir?” Lá fui. Lá estava Pedro Paixão na sombra de um chapéu e com outro na cabeça. Aproximei-me : “Então o seu nome é ?” Ai, fiquei tão contente … estava o Pedro a escrever o meu nome. A minha filha deu-me um toque no braço e sorriu. Acho que naquele momento ela me achou uma coisa fora de serie. E eu também, verdade seja dita. Atrevi-me e disse-lhe:”Gosto muito de o ler, mas os finais são tramados. Ninguém fica com quem gosta, é duro.” Ele olhou para mim : “Sabe?” e disse o meu nome, “a vida é muito dura”, e voltou a repetir o meu nome. Atrevi-me ainda mais e disse-lhe em jeito de brincadeira, mas muito a sério para mim: “ Sabe Pedro? eu mudo as suas histórias e elas ficam como eu acho que ficam bem, tiro alguns “Não” e acrescento alguns “Sim”. Ele sorriu, eu também e a minha filha disse muito espantada: “Tens cá uma lata mãe! O homem a escrever o teu nome todo querido, e tu a dizeres que não gostas dos finais das histórias que ele escreve.” “Sabes minha querida, eu disse o que toda a gente faz quando gosta de uma história, pensa-a cá dentro como a sente,e isso também é ler.”

Amanhecer ...


Acordar e os meus olhos pedirem os teus.

Vou brincando ...

Vou brincando como se num carreiro de letras me equilibrasse… abro os braços para não cair nem para a esquerda, nem para a direita. O meu corpo espreita e o carreiro estremece palavras soltas, sem sentido, e eu não caio. Mais uns passos, e eu sei que no final da frase a brincadeira tem fim. Eu já sei o fim. Eu abro os braços e leio no carreiro das letras que piso, as palavras soltas escritas para mim.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Pedido riscado



eu

não

quero

chuva

!


Até ser manhã ...








Vou deixar esta luz acesa para ti. Só esta, consegues ler assim? Deixa, eu leio no escuro, apaga. Não, eu consigo dormir assim mesmo. E eu quero no meio do sono descobrir-te aqui ao meu lado. Abraça-me. Abraço-te. Vais ler durante a noite? Apaga, não vais conseguir adormecer assim. Vais ler? E quando eu acordar no meio de ti, tu vais ler? Assim não consegues dormir. Tu vais adormecer primeiro, eu sei. Não vou. Tu não sabes tudo. Sabes, eu vou ficar de olhos abertos no escuro das velas que não apaguei, quieta, só para te ver ler. Depois vou olhar-te enquanto dormes e antes de adormecer em ti ... até ser manhã.

Têm cheiro ...


Acontece-me sempre. E comecei a dar melhor por isso ontem "numa fnac perto de mim". Nestes locais de discos, livros, filmes, agendas, café … dirijo-me quase sempre aos sítios por uma ordem que para aqui não calha agora dizer.
Acontece-me sempre … é um prazer e faz parte da minha escolha, e ontem reparei melhor no que faço, por isto: ao aproximar-me de uma das prateleiras de livros peguei num e … não é que no preciso momento em que eu …. , os olhos do lado se fixaram no meu gesto como que a dizer, “mas o que é que ela estará a fazer? é maluca ou quê?”. Ai é, vais ver! Tornei a repetir o acto. E os olhos tornaram a condena-lo, sem saberem o prazer que perdem. Então fui mais longe ainda, pousei o livro que tinha nas mãos peguei noutro abri-o numa página ao acaso, e elevando-o até à cara …. cheirei-o! O homem do lado já não olhou mais para mim, os meus olhos encheram-se de água do esforço que fazia para não me desmanchar a rir à gargalhada ali no meio do silêncio. Percebeu que eu repetira tudo novamente e então pousou o livro na prateleira com gestos lentos, deu meia volta e saiu. Será que ele achou que era a próxima vítima? Ou será que ainda não descobriu o cheiro que os livros têm?


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Fios de nós ...


... encruzilhada.

Vícios escuros


Confesso: se tenho em casa chocolate preto, negro, a quem chamam amargo não sei bem porquê, deve ser inveja ou coisa parecida … levanto-me durante a noite e …. antes de ser dia o papel que embrulhava a escuridão, dorme tranquilo no caixote do lixo.

*Já sinto a escuridão desta noite. Amarga?

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Como num jogo


Chego primeiro na voz. Oiço o que dizes e percebo a rua, os carros, os passos, a tua respiração apressada. Percebo a tua voz a tentar ouvir a minha. “Diz, não consigo ouvir-te.” Aproveito e pergunto de outra maneira. Falamos mais tempo, ficamos mais perto, nos risos nervosos, nas palavras que se adivinham … É como uma bola que te lanço e quando seguras, já está de volta em mim: “não, diz tu”. Falamos colados, sobrepostos, nas vozes, as nossas vozes, que como num jogo se tentam tocar.

Com um vestido coberto de flores

Com um vestido coberto de flores enfeito a tua noite, amor. Despes-me com pétalas, na voz em tremor.
Pode ser hoje Primavera, ou outro dia. Ou pode ser quando chegares, ou de noite ou de dia.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Vivo nos teus dedos

Vivo nos teus dedos a tocarem-me, morro nas palavras que não dizes. E tudo isto é vida e morte, silêncio e voz.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Nem uma careta !


Como eu gostava de dizer adeus aos carros que vinham atrás do meu. O meu pai a conduzir e eu e o meu irmão naquele frenesim. "Parem com isso que as pessoas podem distrair-se", dizia a minha mãe. O perigo na altura nem passava por irmos de costas, sem cintos e para bem dizer ao "molho". O perigo era mais moral, parecia mal. Bem, a verdade é que a minha mãe percebia perfeitamente que pelos risinhos, nós não dizíamos só adeus… caretas, línguas de fora, enfim era só rir! Esta brincadeira era válida para viagens curtas e longas, era um ritual e juro que tenho saudades.
Hoje os meus filhos já não vivem esta hilariante experiência, felizmente vão mais seguros mas expostos a outros perigos. É que quando menos se espera a raiva de um condutor leva a que sem mais nem porquê se espete o dedo do meio, e … Toma!
Eu fico “verde”. E para lá de “esverdeada” ainda tenho que responder à pergunta do meu filho: "o que é que o senhor queria, mãe?"
Aos que se revelam dentro de um monte de lata, aos que escrevem anonimamente sobre outros que assinam aquilo que pensam e sentem … a esses, os meus filhos não iriam gostar de dizer adeus, muito menos fazer uma careta!

domingo, 31 de agosto de 2008

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Olho para ti tão intensamente


Olho para ti tão intensamente. É para te prolongar em mim, não é? És infinito enquanto te toco e desfazes nas ondas que trazes para mim, os sonhos em espuma. Mas eu volto a devolver-te em ondas quando os meus olhos te vêem. Eu mato em ti o calor que o meu corpo tráz. Eu espero perder-me na tua infinitude. És mar e os meus olhos sabem a sal quando não estás.

Para que fique claro, hoje começa assim!

Clarear nas palavras, o que com elas queremos dizer. Ou apenas com uma imagem, clarear. Encontrar um lugar do nosso coração, claro ou menos claro. Mesmo no escuro, no medo, no terror, clarear pode ser também não dizer. Clarear pode ser amar, ou não ser capaz de o fazer. Ou não querer. Não querer amar. Ou simplesmente não amar, e por isso não querer. Calar sempre o que eu não quiser tornar mais claro. Mas nunca deixar de o fazer.

Clarear ...

Mesmo de noite, onde a luz das palavras pode revelar ou o olhar pode dizer e depois amanhecer, clarear.