domingo, 30 de novembro de 2008

Caminho


Não se viam há pelo menos dois anos e ela adivinhava o difícil que seria voltar encontra-lo. Na rua vazia, apenas se ouviam os seus passos molhados. Passavam trinta minutos da hora marcada e o atraso propositado era o medo de morrer outra vez. A sua respiração acelerada parecia abrir-lhe o peito. Parou, fechou os olhos e sentiu a chuva a cair-lhe no rosto… lambeu os lábios salgados e percebeu que não era medo, era a vida a dizer-lhe que voltasse para trás. Sorriu, e ainda assim continuou, mas mais devagar…

sábado, 29 de novembro de 2008

SMS

Ainda meia a dormir…
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Mãe recebeste uma mensagem!
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“Tá a nevar.”
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Eu que sou do calor, muito mais do que do frio, e muito menos ainda do gelo, fiquei derretida...

Os amigo fazem milagres, e logo pela manhã!
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*obrigada Margarida.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Sonho Impossível

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Dever de Sonhar

Eu tenho uma espécie de dever
Dever de sonhar
De sonhar sempre
Pois sendo mais do que um espectáculo de mim mesmo
Eu tenho que ter o melhor espectáculo que posso
E assim me construo a ouro e sedas
Em alas supostas
Invento palco
Cenário para viver o meu sonho
Entre luzes brandas e músicas invisíveis

Fernando Pessoa

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* o vídeo não estando nas melhores condições técnicas, ganha pelas excelentes condições expressivas , reais, humanas…

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** ”Sonho Impossível” de Chico Buarque aqui cantado por Maria Bethânia, dá nome a este post.

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*** este poema de Fernando Pessoa, tenho-o sempre na memória recitado pela minha diva, Bethânia… voz que me acompanha desde sempre...

**** ontem recebi do meu amigo Vìtor do Sal Sol Sul, esta dupla completa:poema e canção. Estava este post já a nascer... há coisas assim...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Onde moram os livros

Para objectos dignos, lugares especiais! Sempre me fascinaram os lugares onde repousam os livros. Gosto de prateleiras desiguais, às cores, ou cinzentas. Gosto de entrar numa casa e descobrir onde moram os livros ali. Gosto da forma como estão arrumados ou como caem inclinados. Gosto deles até no chão, mesmo à minha mão. E depois quando os trago comigo gosto de olhar o lugar vazio no espaço que deixaram. Gosto de olhar as prateleiras numa sala quase às escuras, apenas acesa pela chama de uma vela… gosto de as olhar e deste namoro encontrar o livro certo para ler, ou simplesmente deliciar-me com o prazer da escolha…

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Vestido vermelho

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de um pé nascente
no momento exacto…
quieta
em volta
de um instante imediato
.
visto-me então de pétalas para nascer outra vez...

sábado, 22 de novembro de 2008

quem sabe...


.
.
.
Quem sabe
despindo as palavras
consigas olhar-me
...
Quem sabe
se assim
seja tudo verdade

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Marcha atrás

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Mamã dá licença?
Dou!
Quantos passos?
Três à Caranguejo!

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Um

.
Dois

.
Três

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

nem o mar

Nascem sonhos do mar, troncos soltos pelo ar, nascem nos dedos vontades de tocar... vontades de enrolar... nascem imagens por repetir, e tremores por ouvir... e da alma brotam saudades desvairadas de te ter, e eu acho meu amor que nem o mar nos vai perder…

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Vá-se lá saber porquê!...

Sépia perfeita
Translúcido contraste
Enquadramento metódico
Assimetrias encontradas
Focagem perfeita
Simplicidade dos elementos
Podia estar menos centrado
O preto não lhe fica mal, mas está branco
Belo alinhamento captado
Isto não é nenhum poema, só estou a divagar para vos dizer isto que se segue:

Entro num blogue de fotografias e encontro títulos a darem sentido, rumo… e é esse mesmo sentido próprio dos autores que me fascina. Nasce no instante do primeiro olhar, segundos depois é o "nosso" espreitar que faz o segundo olhar acontecer. Então, já são mais do que dois olhares, o do autor, o "nosso" e o de quem irá "ler" tudo por esta ordem infinita de olhares… Até aqui tudo perfeito, isto dos "olhares" a tomarem conta de mim! Mas quando me aparecem pela frente comentários mais técnicos às fotográficas (o que faz todo o sentido) é que bloqueio, vá-se lá saber porquê! …

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Elis Regina Montreaux 1979

"Madalena".

Esta música mexe comigo, mesmo!

espreitar...

... também é olhar!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A voz do frio

Ela não tinha mais dúvidas. A sua viagem ia começar naquele dia… com as malas cheias de sonhos que iria vestir noutro lugar, ansiava partir. Trazia dentro de si quase a vida toda, mas sabia que noutro lugar iria nascer mais vida. Tinha perdido pedaços de tudo, mas tinha aprendido que amar intensamente era a sua única verdade. Mesmo só, sabia que esta era a viagem que podia faze-la partir… acreditar que o amor que sentia nada tinha destruído, e que ia nascer ainda mais dentro de si. Ela não tinha mais duvidas, e por isso entrou e sentiu o frio na sua cara a dizer-lhe que fosse, que partisse agora…

domingo, 16 de novembro de 2008

"Desenrasque-me lá isso"

À espera que chegasse o segundo autocarro que iria levar um grupo de crianças ao Teatro, verifiquei que o dito transporte não possuía cintos de segurança com três pontos, como eu tinha solicitado.
Ao telefone com o responsável da empresa transportadora:
E agora? perguntei eu.
Desenrasque-me lá isso até Lisboa, disse-me ele.
Nunca na minha vida me tinham pedido para desenrascar nada, muito menos até Lisboa, nem sei mesmo se algum dia vou desenrascar alguma coisa.
Resultado: autocarro para trás, e outro nas devidas condições para a frente, ainda que com atraso de meia hora!

sábado, 15 de novembro de 2008

Ainda hoje

Quando entrou ainda ele não tinha chegado. Trémula por não saber o que iria sentir ao vê-lo, saiu para fumar um cigarro. O fumo levou-a para mais longe de onde nem se atrevia a olhar para trás. Cada passo, cada hipótese de ele já ter chegado. No regresso do cigarro… ele, ali mesmo a dois passos dela. Sempre bem arranjado trazia naquele dia companhia. Ela, muda, ainda assim cumprimentou-o, sorriram, e ela seguiu. Ainda hoje não consegue descrever quem o acompanhava naquela noite. Se era mulher, ou homem, ou se era apenas a sombra que ela própria não gostava de ter sido.
Ainda hoje quando acende um cigarro olha na direcção do fumo. Na ilusão de que o que o fumo leva em névoa, pode ainda trazer em passos. E é assim na sombra dos dias que ainda hoje olha para trás.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Temos?

stop, pause, play...pause,pause,stop, play....stop


Seria tão mais fácil termos botões...

De súbito espanto

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De súbito espanto
de um enorme desencanto
traz o frio num manto
dispo-me...
e escondo na noite
a minha voz
e já não oiço a tua

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

11 de Novembro de 2008

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Quem quer castanhas assadas?



Assadas, por quem todos os dias o faz na rua, mas que no dia de S.Martinho gentilmente o fez dentro de uma escola, quem quer?


Apr(e)ende-se quanto mais próximo...
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quintafeira

Há dias que se colam a datas e datas a dias... e depois ficatudopegado!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

e hoje...


E hoje...
é mais sugus
nada de abusos a escrever
doces
de várias cores
laranja
de todos os sabores
quadrados
eternos ... ... ...
humorados
morango
menta e limão
fica um post mais suave
mesmo que fora de mão!

*há sugus para todos!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Baldes, de água fria!

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A sério? Que bom! Perfeito. Ainda bem. Tu merecias. E logo agora, que sorte. Chegou na altura certa. Era o que estavas a precisar. Não era a altura agora, mas que bom! Eu já sabia que um dia isto ia acontecer. Ainda bem. Vês, nada é por acaso! Que bom! Vi logo pelo teu sorriso. Vi nos teus olhos, no brilho. Que bom! A sério?
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*um doseador para banhos frios? já inventam tanta coisa...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

para sempre

aprender...



... a ser feliz!

domingo, 9 de novembro de 2008

Com as palavras na mão

Ouvi-o pela voz de quem o escreveu. Nas mãos segurava o papel por onde guiava o seu olhar baixo, atento e brilhante, muito brilhante. Os olhares em sua volta ouviam mais do que a leitura de um poema, ouviam uma vida que fora para cada um de nós, também um pouco de nós. Ouviam memórias, saudades, muitas saudades, mas a eterna certeza de que quando se ama e se está perto, se constrói, se permanece, mesmo depois da morte. As mãos que seguravam as palavras em poema pousadas numa folha de papel, tremiam seguramente por vida e por amor.

*para ti, Margarida!


sábado, 8 de novembro de 2008

Um, dois e...

...três!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Doce soma

suspiros ...
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+ chocolate ...


= ...



O mellhor bolo de chocolate do mundo !
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Sirvam-se, e bom fim de semana!
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*a etiqueta "chocolate" vai nascer hoje e o motivo é simples: já falei e vou voltar a falar, com quase toda a certeza, deste "vício" castanho que faz as minhas delicias!

os meus passos

Os meus passos andados, palmilhados e guardados em segredos no chão. Os meus passos achados em caminhos nublados, querem passadas que não dão. De manhã saem de mim, à noite voltam sem fim, vazios, atrapalhados, molhados, porque não foram ou porque já não querem ser passos assim.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

ensaio

Saiu de casa cedo, o frio gelava os passos que diziam uma direcção. Caminhava assim ao som que convinha, e ritmava palavras que gostava de dizer. Mas também as que sabia não poder dizer. Os lábios ora cerrados ora mordidos, gesticulavam palavras mudas, silenciosamente… as mesmas que iriam mais tarde, dizer este dia.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

onde?

a pergunta que nos faz procurar o lugar, certo?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Os dias de um quarto maior


Sentados lembravam agora os dias de um quarto maior, as vozes de meninos e meninas, piões e carrinhos de linhas. O violoncelo a tocar, e entre panos e olhares, meninos a brincar. Eram os filhos, nas mãos de quem sonhava um dia casar. Eram sonhos de um sótão escuro e repleto de ferros e loiças, de medos e bruxas. Os seus olhos fixam agora quem passa numa sala mais clara, e juntos, despidos em sonhos, dizem aos livros que vivem por perto, palavras do coração. Sentados, lado a lado, seguem os olhos de quem os guarda como se fosse numa canção.

talvez

.
a sobrar
num só caminho
gemido desenfreado
um único ponto
sinal
de um lamento entrelaçado
.
talvez auroras por nascer…

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Minha herança:uma flor


Sim, esta música tem quilómetros. Tenho-a ouvido repetidamente nas minhas voltas diárias de carro.
Pertence ao álbum “Sim” de Vanessa da Mata, que tem para mim uma lindíssima capa.
“Minha herança: uma flor” aparece no final do disco com uma surpreendente letra e música. E às vezes é assim… a ultima música de um disco, como a ultima cena de um filme a surpreenderem-nos.
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*Nos “Mestres & As Criaturas Novas” (aqui indicado no Clareando) , passa o vídeo onde se pode ouvir a música desta lindíssima herança que aqui hoje vos deixo escrita, quase em jeito de testamento… para a vida!
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Minha herança: uma flor
(Vanessa da mata)

Achei você no meu jardim
Entristecido
Coração partido
Bichinho arredio
*
Peguei você para mim
Como a um bandido
Cheio de vícios
E fiz assim, fiz assim
*
Reguei com tanta paciência
Podei as dores, as mágoas, doenças
Que nem as folhas secas vão embora
Eu trabalhei
*
Fiz tudo, todo meu destino
Eu dividi, ensinei de pouquinho
Gostar de si, ter esperança e persistência
Sempre
*
A minha herança para você
É uma flor com um sino, uma canção
Um sonho, nem uma arma ou uma pedra
Eu deixarei
*
A minha herança para você
É o amor capaz de fazê-lo tranquilo
Pleno, reconhecendo o mundo
O que há em si
*
E hoje nos lembramos
Sem nenhuma tristeza
Dos foras que a vida nos deu
Ela com certeza estava juntando
Você e eu
*
E hoje nos lembramos
Sem nenhuma tristeza
Dos foras que a vida nos deu
Ela com certeza estava juntando
Você e eu
*
Achei você no meu jardim

domingo, 2 de novembro de 2008

Pas de deux


navegar é preciso...

sábado, 1 de novembro de 2008

post número 100

............Sem amigos não fazia sentido …
.

escondermo-nos debaixo de uma secretária para pregar o maior susto…
comer “sopa dourada” no meio do trabalho
simular um incêndio
dizer as piores e as melhores asneiras
guardar segredos de verdades inteiras
estar à conversa um fim de semana inteiro, e despedirmo-nos dizendo “depois falamos”
ligarmos mesmo a meio da noite
ligarem-nos mesmo a meio da noite
revelar a maior confissão, mesmo a tremer, mesmo a morrer do coração…
não julgar, dizer tudo sempre por amor
não magoar, suportar
não apontar o dedo, dar a mão
acreditar
conter o riso
desmancha-lo nas situações menos apropriadas
cruzar o olhar e dizer tudo
receber os maiores abraços e poder dá-los, sem nada em troca
não precisar de chamar, porque já chegaram
sair a correr e desmarcar tudo
socorrer
convidar sempre para estar, só por vontade
dizer a verdade sempre, e ter a certeza que nunca é partir, é sempre construir
chorar em soluços
ouvir soluçar
ir levar e buscar
trazer de volta o que se emprestou
tornar a emprestar
deixar espaço aberto para perguntar
e aberto para não dizer
e revelar quando apetecer
e nunca ser tarde para dizer
não temer ouvir
ouvir
não fugir
estar
mesmo que seja longe
e ficar perto ...
.
sem amigos é que nunca!
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*os amigos têm chegado em diferentes datas, por diferentes caminhos…
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**sobrevivem na verdade e dela se envaidecem
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***tenho mãos cheias de amigos, tão perto de mim…
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****o post número 100 não me diz absolutamente nada... foi simplesmente o trocadilho com o “SEM amigos".

*****os amigos dão-me sorte, na vida!



Beatriz


há músicas assim, mágicas!

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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

sem fim


Eram os dias a preto e branco que agora riscavam os traços mais longos na sua vida. A espera ao vento não a deixava ver sequer os dias mais próximos. Os seu olhos ausentes, escondidos, temiam sempre o pior, sempre o pior… os cabelos voados pela brisa eram agora o mais próximo de si, e os dias cobertos de ânsia desejavam sempre outro rumo, sempre outro, sem fim…
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hoje...

.
... estou a ler uma carta, cantada (post anterior)...
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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Love letter

há cartas asim... cantadas.

há músicas assim... escritas.

Cenas da vida conjugal

Marianne (Liv Ullmann) e Johan (Erland Josephson) protagonistas de várias cenas retratadas por Ingmar Bergman. Julgo que passava na dois, há uns bons anos atrás. Na companhia da minha mãe era obrigatório assistir ao admirável dialogo próximo e genuíno. A troca de palavras tão intensa fazia-me sentir dentro da própria acção. Ainda hoje mais do que as palavras me lembro das imagens nelas retratadas. Os movimentos, os olhares, os silêncios e até a respiração que fazia nascer a palavra que faltava dizer ou calar.
.
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*Gostava de rever … e hoje, descobrir por certo outros “silêncios” que a idade há uns anos atrás não me permitia.
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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

um dia ...

...eu quero ser índio.
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E dizer as cores sem espanto.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

contigo

Trouxe a brisa do mar quando os meus olhos soltaram os sonhos devagar… embaladas ondas desfeitas em rodopio dançaram e os meu olhos fechados. Quando chegavas no teu sorriso embrulhado no meu, desfolhadas em brisa quando juntos, éramos um.
E as palavras circulares trazidas na brisa pousam em canções e poemas só para nós. Se são sonhos, agarrei-os e não mais partem de mim. Se são brisa trazida pelo mar, então amor fecha também os teus olhos assim nos meus, devagar…


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

ontem

Um dia inteiro com o mar pela frente…

...hoje não vai sair coisa boa!


domingo, 26 de outubro de 2008

quase


soltas, presas na mão , palavras de pó de giz, tolas e sem razão...
... é quase sempre por um triz ...
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sábado, 25 de outubro de 2008

Pontes


Robert Kincaid (Clint Easstwood), jornalista fotográfico da National Geographic e Francesca Johnson (Maryl Streep), uma dona de casa do Lowa, tinham uma vida perfeitamente normal, sem altos nem baixos.


Acontece que basta estar vivo... e quatro dias depois de se conhecerem não querem perder o amor que encontraram. Também basta estar vivo!


Chamem-me lá lamechas… mas adoro este filme!

Um dia

.
E talvez
seja isso só
doces laços e rodopios
um dia a quererem ser nó

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Onde?


Onde guardamos os nossos segredos?


É lá, no horizonte onde oiço as vozes das pedras a cair…


Como pedras...

como pedras
frias
arrumadas
escolhidas
vazias
pesadas
ausentes
nem cá,
nem lá
pedras
empilhadas
desequilibradas
longínquas pedras
ocas

cheias e vazias
danadas
furiosas
malvadas palavras
de pedra
e este meu silêncio
não faz nada!?

...e assim não há palavras!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Pequeno conto do espaço


Passeavam lado a lado. De mãos entrelaçadas. Os dedos perdiam-se em dez, e mais dez, em desordem, juntos, colados. Ele dizia que o caminho era difícil, que as pedras do chão estavam ali, mesmo debaixo dos pés. Ela teimava em não olhar, e dizia-lhe os sonhos… todos os sonhos, que os dedos não chegavam para contar. Olhos nos olhos, a quatro mãos, caminhavam, caminhavam, caminhavam…

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Será?

Na dúvida há sempre uma pergunta a desarrumar…e dessa pergunta, outras desdobradas, proporcionais à própria dúvida.
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“Será” foi-me oferecido hoje pela doce Sofia, que para além de uma caixa de botões, tem outra caixa cheia de afectos que distribui. Eu sei que distribui!
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Apesar de não andar muito perto da música de Pedro Abrunhosa (também Sofia, também…), este poema que vive numa canção, é lindo!


*há pessoas que voam para nós, como anjos...
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Será?
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Será que ainda me resta tempo contigo
ou já te levam balas de um qualquer inimigo?
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Será que soube dar-te tudo o que querias
ou deixei-me morrer lento no lento morrer dos dias?
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Será que fiz tudo o que podia fazer
ou fui mais um cobarde nao quis ver sofrer?
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Será que lá longe ainda o céu é azul
ou já o negro cinzento confude o norte com o sul?
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Será que a tua pele ainda é macia
ou é a mão que me treme sem ardor nem magia?
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Será que ainda te posso valer
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer?
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Será que é de febre este fogo ?
este grito cruel que da lebre faz lobo ...
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Será que amanha ainda existe para ti
ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri?
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Será que lá fora os carros passam ainda
ou estrelas cairam e qualquer sorte é bem vinda?
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Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes ?
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Será que o sol se põe do lado do mar
ou a luz que me agarra é sombra de luar?
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Será que as casas cantam e as pedras do chão
ou calou-se a montanha rendeu-se o vulcão?
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Será que sabes que hoje é domingo
ou os dias nao passam são anjos caindo?
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Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir?
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Será que sabes que te trago na voz
que o teu mundo é o meu mundo e foi feito por nós?
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Será que te lembras da cor do olhar
quando juntos a noite não quer acabar?
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Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar contra a barra?
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Será que consegues ouvir-me dizer que te Amo
tanto quanto outro dia qualquer?
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Eu sei que tu estarás sempre por mim...
não há noite sem dia nem dia sem fim.
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Eu sei que me queres e me Amas também,
me desejas agora como nunca ninguém...
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Não partas então...
não me deixes sozinho...
vou beijar o teu chão e chorar o caminho.
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Será?...
Será?...
.

Sem muitas palavras...


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...dizer tudo numa frase pequenina.

*é um sonho, não é?

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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Encontros sem despedida

Há quem chegue sem saber
Há os que chegam para partir
Há quem nunca chegue
Há quem não queira nunca ir
Há encontros sem saber
E há despedidas por abrir
Que quando não partimos
O difícil é chegar
Se o ficar é não querer ir
E é o querer ficar
Se eu te não encontrar
Isso é despedir
Porque te encontrei
Eu não quero mais partir

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Delírio

Deambulava-se pela casa, perdida num dos corredores escuros de cinza caída. Era de noite, sempre de noite que no peito as palavras amarradas, presas, asfixiadas em dor, se escapavam no seu jeito perdido de andar passos fora, de braços frios que baloiçavam caídos, nus, à procura… à procura… à procura… e os lábios silenciosos de palavras fechadas, mexiam-se, agitavam-se perdidamente loucos por um beijo… que sabiam… já não encontrar…
Os pés descalços pisavam os sonhos que o olhar baixo deixava cair… e era nesta dança feroz e meiga que se agitava a noite, em tons cinza, perdidamente à procura do nada. À procura de tudo. Enquanto pensasse na loucura não enlouquecia, deixava só o corpo sair… Noite de cinza e nada, de lábios tremidos, agitados e só um chão para pisar, e cair.

domingo, 19 de outubro de 2008

Em desalinho ...

. .
As palavras em desalinho teimam em não assentar, murmuram, segredam e fogem perdidas tão perto de mim. Dizem, mesmo a chorar que os dias assim não têm lugar, e depois anoitece...

sábado, 18 de outubro de 2008

Ele há coisas...

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À conversa com um colega, ele dizia-me:
- Foi giro o jantar ontem… mas estava lá uma amiga da A. que eu nunca tinha visto e não vais acreditar Clarice, no meio de uma conversa sobre férias, alguém referiu o gosto em ler e a senhora acrescentou:

-Odeio livros, quero dizer acho-os bonitos mas não leio.
Fez-se silêncio… mas o pior veio a seguir, quando ela disse:
-Eu gostava mesmo era de escrever um best-seller.


*já disse ao meu colega: cuidado com as companhias… olha as drogas, e os diabetes, e não atravesses a estrada sem ser na passadeira, e nada de sair à noite

**ele há coisas!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Traduzir-me

.
Os poetas dizem-me tantas vezes nos seus poemas, o que eu sinto e não sei dizer...
.
Hoje vou ouvir vezes sem fim na voz de Adriana Calcanhotto o lindíssimo poema de Fernando Goulart, "Traduzir-se".



hoje vou traduzir-me assim...

..Traduzir-se
(Fernando Goulart)

Uma parte de mim
É todo o mundo
Outra parte
Fundo sem fundo

Uma parte de mim
É multidão
Outra parte é estranheza
E solidão

Uma parte de mim
Pesa e pondera
Outra parte
Delira

Uma parte de mim
Almoça e janta
Outra parte
Se espanta

Uma parte de mim
É permanente
Outra parte se sabe
De repente

Uma parte de mim
É só vertigem
Outra parte
Linguagem

Traduzir uma parte
Na outra parte
Que é uma questão
De vida ou morte
Será arte?
Será arte?
Será arte?
Será arte?

Cais


Abraçar, pode ser... chegar !

E partir... ?

E nós?

Fios de ferro
entrelaçados e nós
o que sabemos nós?
em cada lugar
ou no espaço
é o tempo
sem traço
que marca
sentidos, rumos
esmagados
perdidos de medo
cobertos de pó
sem luz
no breu
num só lençol
e de olhos fechados
achados
juntos
entrelaçados…

...e nós?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

chegou hoje!


chegou! vou encontrar no tempo, tempo para o ler...
*********************************
*a capa é linda, e pelo cheiro... temos livro!



Braço de ferro

Sentir / Pensar

*como uma qualquer luta, não cuida de nós...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Nas mãos segurava os sonhos...


Nas mãos segurava os sonhos, em ramos, desejos eternos. Nos lábios a cor do amor, sorria e só sabia que sim. Que sim. Não eram sonhos em folhas de lata, eram flores nas mãos de uma menina, era a vida toda ali.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Não querem ficar juntas

As...........................................................

.................................................................palavras

......................não


................................................................querem

ficar

......................................... juntas


.....................e



.............................................................................. por



...............................isso



parecem

........................................................tão


desarrumadas.




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*será que há sempre uma linha para juntar palavras? ou é ilusão?


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Cai a noite





Cai a noite num pingo
fria e nua

eu nem sei bem
se são estrelas no mesmo céu
ou se é o medo que se insinua


sei que o vazio no corpo gélido
e os pés pousados no chão
são a voz

silenciosa
na escuridão