... deixar o vento
soltar
cada momento
e depois rodopiar
lançar
dançar
sentar
numa inquietude
gigante
de um movimento
cessante
não ser por isso só
e ser apenas e só por isso
viajante
voar...
Mesmo de noite, onde a luz das palavras pode revelar ou o olhar pode dizer e depois amanhecer, clarear...


Por mais que eu tema
há o sol a espreitar
neste novo dia
neste sopro de ar
por mais que eu diga
há vontade de ser
um novo amanhã
vestido de amanhecer
por mais que eu negue
a vida a correr
oiço o teu sorriso
respirar de prazer
por mais que eu chore
o sal da escuridão
esqueço as tuas costas
na palma da minha mão
por mais que eu sinta
os pés a parar
lembras a força
do fundo do mar
depois de hoje
a vida é assim
um dia apaga o outro
na tua pele
vestida em mim



Podia dobrar as esquinas
sem andar pelas ruas
podia atravessar estradas
de caminhos invisíveis
podia dizer entender
todas as partidas
e até atravessar
os rios a pé
ir no céu
por terra
navegar sem água
escrever sem tinta
não saber a mágoa
que nasce de um filme
podia ser assim
para sempre
e podia até
ser aquilo que não sou
.

Um encontro casual, num café perto dos lugares de sempre... eu a Rute, o João e o Pedro estivemos à conversa com a "nossa" Professora de Português, Helena Ramos. Depois de muitos anos, ouvem-se agora os ais de quem se reencontra nas expressões... rugas, cabelos brancos e quilos, são apenas detalhes... as expressões, os risos e o brilho nos olhos ficaram, seguirão vida fora. Só isso importa. Com a mesma vida de quem nos "aturava", recordamos todos os que nunca esqueceremos. Foi um prazer este reencontro onde actualizamos "moradas"... foi um prazer esta revelação, de que o tempo guarda bons momentos, os melhores momentos... senti-me com 14, 15 anos, que saudades ... a vida guarda-nos pequenos prazeres, este foi um deles. O outro, foi ter num post meu, este comentário escrito.
Obrigada, Professora Helena!