sábado, 6 de agosto de 2011

Mãos


Os dedos
são passos
seguros
de tocar
e mesmo no frio
e na dor
descobrem caminhos
de não separar
e depois ...
percorrem montanhas
em traços desenhos
que pintam nas mãos
para não deixar de lembrar ...

domingo, 31 de julho de 2011

Corrimão

... onde se amparam palavras de descer e de subir ...

sábado, 30 de julho de 2011

Agora


... mas tinha que respirar ... todo o dia ...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Olhos no olhos

... espreito o tempo sem horas marcadas ...
... com a vontade imensa de o fazer navegar...

sábado, 23 de julho de 2011

Para sempre


... como um eterno amanhecer...

*Parabéns minha querida Madalena, pelos teus 18 anos!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Caminho


... onde os meus pés se guiam
nas pedras do chão que piso
ou no céu que adivinho ainda ser cor


domingo, 17 de julho de 2011

sábado, 16 de julho de 2011

Serenar

... voz que sossega os dias em turbilhão ...


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vontade


Aragem de quereres...

sábado, 9 de julho de 2011

Clarear

... reencontrar o amanhecer ...
na entrega da noite que corre no rio...


domingo, 3 de julho de 2011

Viagem rumo a mim


Há uma quietude surpreendente

quando fixo no meu olhar

a paisagem seguir...

e eu permanecer...


sábado, 2 de julho de 2011

Casa de sonhos adormecidos

... onde se abrigam passos de navegar ...

terça-feira, 28 de junho de 2011

Talvez

... chegue um dia uma sombra ser frase ...

e se revele a voz nublada em tom definido

e não se espere mais do que isso ...



domingo, 26 de junho de 2011

O tempo passa


... por nós
e como brisa
sinto no rosto
os passos
que nos meus olhos
demoram...
.
o tempo passa
e vejo pela rua
os mesmos rostos
as mesmas vozes
as mesmas mãos
os pulsos...
respirando
como passagem que são

o tempo passa
como água pela minha mão
como flecha sem poente
o tempo é prosa e ardente



quinta-feira, 23 de junho de 2011

Anjo

... vestir a alma de branco e deixá-la esvoaçar como um vestido... caminhante no meu corpo...
.
*para a MI com muito carinho...


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Abraço

... palavras que se libertam nas amarras de um cais ...


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Nós dois


... sempre que ao nosso lado correr um rio para abraçar o mar ... e nas águas fluir um lugar para dois... e isso ser terra agora, e não depois ...


sábado, 18 de junho de 2011

Espreitar


Espreitar

o mar

o sal

a viagem

até a outra margem ...

espreitar

do preto a cor

e da ondulação

a brisa que acalma

.

ser musa

e inspiração

para navegar

.

espreitar

pode ser não mais

que um outro olhar


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Zero


... onde o nada, pode ser tudo ...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Dor


Talvez pareça fácil
escrever nas palavras
a dor
e até pareça leve
dizer a mágoa de cor
.
mas não é fácil deixar secar
a água transparente
que corre para morrer


domingo, 12 de junho de 2011

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é


... nas cores que passam à porta ou no chão da rua onde mora a vida ... sem demora ...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Gente da minha terra

... por onde se espreita, se guarda e se estende... a alma de cada um ...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Amanhã


... vai ser assim!

*esta voz será para sempre uma voz em mim...

terça-feira, 7 de junho de 2011

ICOSAL

"A ICOSAL é um icon dos anos setenta, caramba!!!
A Revolução passou pela ICOSAL, o primeiro pé de cabra a derrubar o Muro de Berlim, palpita-me, veio da ICOSAL, e Neil Armstrong disse, na Lua:
- Eu vejo-a daqui, eu vejo-a daqui!!
- O quê? A Grande Muralha da China? - respondeu Huston
- Qual quê!!! A Icosal! A ICOSAL!!!
E mais vos digo que a ICOSAL recusou a presença da Troika...

Se calhar já dei pistas a mais...

Olha, aqui em baixo apareceu ICOsAL como paravra de verificação..."

Comentário explicativo de Yanneck, registado aqui.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Os livros saíram à rua (fim)

De regresso a casa, olho para os livros expostos no chão... São como objectos com destino marcado para viverem perto das minhas mãos... e assim começam viagens por mar de letras nunca dantes navegados ... e assim escrevo um fim, mas sem mágoas (são esses os fins de que gosto)... pois abre-se uma outra página... nasce assim o desfolhar...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Os livros saíram à rua (quinze)


"E aqui anda a noite à roda e eu com ela como um papelinho com que o vento brinca, apanha-me, larga-me, empurra-me, corre, mais adiante, a prender-me nos dentes, esquece-se de mim, torna a lembrar-se, poisa-me uma pata em cima, vai-se embora. O vento. Em certas alturas, dantes, na casa velha dos meus pais, estremecia os caixilhos, na de Nelas batia um ramo contra a janela e eu deitado no escuro, com medo, enquanto o ramo falava sem cessar. Dizendo o quê? Nunca entendi o vento. "



"Não digas nada, dá-me só a mão. Palavra de honra que não é preciso dizer nada, a mão chega. Parece-te estranho que a mão chegue, não é, mas chega."




Fiquei sem palavras... António Lobo Antunes à minha frente. Quando percebeu que o estava a fotografar, deitou-me a língua de fora e sorriu. Consentiu. Eu sorri... de alívio também! A tentação de fotografar rostos prega-me tantos sustos... mas compensa! Durante uns bons minutos fiquei a observar a forma como escutava quem lhe pedia um autógrafo. O seu olhar é de uma ternura imensa... faz cada vez mais sentido para mim a sua escrita... perco-me em cada frase, em cada pensamento seu ... vou-me encontrando assim ...
Escolhi uns pedacinhos de crónicas que acompanham cada fotografia de António Lobo Antunes. E agora, olho cada uma destas imagens como se olhasse um lugar que trago comigo, as palavras deste escritor fazem de mim uma outra pessoa...



"O meu avô dizia-me muitas vezes que um homem sem amigos não é nada. Pode ter tudo na vida, garantia ele, dinheiro, casas, mulheres, filhos, saúde (e continuava a lista) mas se não tiver amigos é um infeliz, um pobre de pedir. Eu olhava o meu avô sem acreditar porque as pessoas crescidas são tão ignorantes e com tanta falta de sentido das coisas essenciais: nunca conheci nenhuma, por exemplo, que juntasse, como eu fazia, pirilampos numa caixa de fósforos para o caso de não haver electricidade."


"E agora começa a anoitecer tão cedo. A minha mãe conta que quando era pequeno, três anos, quatro, cinco, sei lá, me tornava melancólico ao crespúsculo. Não me lembro nada disso mas é capaz de ser verdade porque o fim do dia sempre me trouxe, sei lá porquê, uma espécie de tristeza mansa, um desejo vago de coisas mais vagas ainda, uma inquietação doce, um estado de alma inpossível de exprimir, não inteiramente agradável, não inteiramente desagradável, estranho apenas, um (como dizer?) sorriso com uma lágrima tranquila dentro, percebem? Tão difícil traduzir as emoções em palavras, é tão pobre o vocabulário que temos e vou-me consumindo nos livros a procurar exprimir isto."




"De vez em quando faço umas revisões interiores e lembro-me mal dos anos que passaram: tenho a certeza que só esta manhã comecei a viver e nada sei do mundo, que sou demasiado recente, que o meu tempo não começou ainda. Reparo nas coisas espantado, sem as conhecer, e duvido sinceramente que me pertençam. Nem vejo a caneta que escreve:anda por aí a desenhar as letras e a cabeça flutua, cheia de nuvens, entre o tecto e a vidraça."


Admirar alguém de quem se gosta é a perfeita fotografia... que guardarei para sempre dentro de mim...


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Os livros saíram à rua (catorze)



... projectando...



... as palavras ...


... na voz ...

terça-feira, 31 de maio de 2011

Os livros saíram à rua (treze)


Talvez me sente ainda um dia

com esse livro com que me atormentei

Talvez eu abra ainda um dia

uma página do sal que só o mar tem

Ou talvez vire as costas à primeira linha

adivinhando o que não fui nem nunca serei


sábado, 28 de maio de 2011

Os livros saíram à rua (doze)

... espalhando olhares surpresa ...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Os livros saíram à rua (onze)


... voando nos medos e feitiços, escritos nas cores de mais uma linha ...


terça-feira, 24 de maio de 2011

Os livros saíram à rua (dez)


Há abrigo nas nossas mãos quando seguramos as palavras com o olhar... e quando aconchegamos nas vidas contadas em folhas de papel, o nosso coração... com a nossa vida tão perto de uma sombra... com a nossa vida tão longe de sol...


domingo, 22 de maio de 2011

Os livros saíram à rua (nove)

E fez-se música no meu olhar, quando ouvi mais uma resposta assim: claro que pode fotografar... e depois fez-se canção na minha memória ... “Será que existe em mim um passaporte para sonhar...”, com este pedaço de 125 Azul.

-

Sim, os Trovante!


Os livros saíram à rua (oito)


Escolher

as palavras

como se as mãos

procurassem

nas letras

todo esse dizer

que nos conta

sem conta

que dos diz

que nos faz

e desfaz

que nos procura ...

.

sim, os livros encontram-nos

se nos deixarmos perder...



sábado, 21 de maio de 2011

Os livros saíram à rua (sete)


Olhos nos olhos ...
posso?
claro que pode!
e assim nascem sorrisos no meio de palavras sobre canções ...


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Os livros saíram à rua (seis)


Quando a noite descobre nos livros as cores de começar uma página ... nunca é tarde para ser um "era uma vez" ...



segunda-feira, 16 de maio de 2011

Os livros saíram à rua (cinco)

*para mim, este é um dos poemas mais belos de Mia Couto.
**esta é mais uma fotografia que guardo com muito carinho...


Para ti


Foi para ti

que desfolhei a chuva

para ti soltei o perfume da terra

toquei no nada

e para ti foi tudo

.

Para ti criei todas as palavras

e todas me faltaram

no minuto em que talhei

o sabor do sempre

..

Para ti dei voz

às minhas mãos

abri os gomos do tempo

assaltei o mundo

e pensei que tudo estava em nós

nesse doce engano

de tudo sermos donos

sem nada termos

simplesmente porque era de noite

e não dormíamos

eu descia em teu peito

para me procurar

e antes que a escuridão

nos cingisse a cintura

ficávamos nos olhos

vivendo de um só

amando de uma só vida

Mia Couto


sábado, 14 de maio de 2011

Os livros saíram à rua (quatro)


Aguardo essa página

por ler

aguardo uma manhã

por amanhecer

aguardo assim

por esse livro

escrito com letras

de um suave entardecer



quarta-feira, 11 de maio de 2011

Os livros saíram à rua (três)

... acordando em nós... a palavra, tentação ...

Os livros saíram à rua (dois)


... com princesas em bolas de sabão ... nas palavras de faz de conta ...



domingo, 8 de maio de 2011

Os livros saíram à rua (um)


Sabia-o na feira do Livro de Lisboa. Mas mesmo assim não queria acreditar! Com a sua permissão tive a honra de o fotografar, e enquanto o autógrafo se "desenhava" no lindíssimo “António Barreto: fotografias “, tive o privilégio de testemunhar a simplicidade que o seu olhar espelha... As fotografias de António Barreto estão repletas de histórias e isso não se prende unicamente com o tempo, como me fez questão de referir, mas sim com o olhar... António Barreto olha as pessoas, como se olhasse pelas sua vidas... e isso, é que faz a diferença.

..

*Tenho mais um livro de que gosto muito, e também uma fotografia muito especial...

.

*Em forma de agradecimento, escolhi um pedaço da forma tão bonita como agradece neste livro tão especial... Muito obrigada, António Barreto!

.

"O meu primeiro agradecimento vai para as pessoas com quem vivi estes quase cinquenta anos. Com elas discuti, observei e viajei. Especialmente a Mena, com quem vivo há mais de trinta anos e que sempre me estimulou, sem nunca perturbar as minhas deambulações fotográficas. O que não é fácil, dado que fotografar é um acto de solidão voluntária e necessária. (...)"
.

sábado, 7 de maio de 2011

Frágil


Não me digas a metade

as palavras todas

são sempre desalinho

,

não me digas a noite inteira

quando o dia cai

na escrita de um caminho

.

não digas tardes quentes

diz-me das ruas

das árvores e das sementes

..

diz-me em choro

o teu sorriso

e sem luz

a tua boca

.

diz-me devagar

na melodia que seduz

a fragilidade ser um dia

e a vida ser tão pouca


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Mapa


... ramos que seguram no verde o desejo de florir ...
mesmo sem primavera ...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Estamos cá


... e assim, estar é ser ... na luz que os meus olhos chamam ...


domingo, 24 de abril de 2011

Silêncio

... brisa que trava palavras ...


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Leva-me

... guardador de sonhos ...
leva-me, para o azul de onde só as gaivotas conseguem ver imensidões ...