...onde os sonhos fazem pousar lugares únicos... e onde as folhas desenham o coração... e nessa janela mesmo fechada... mora a casa que segura a minha mão...
...e depois destes "agentes secretos" (como diz o meu filho ao ver as varandas serem assaltadas por homens de fato vermelho) não estarem mais à vista (felizmente), e depois das montras anunciarem saldos dos saldos, e depois das estradas cheias do lado esquerdo e dos corredores dos centros comerciais palmilhados de lés a lés, e depois dos foguetes e das festas, das mensagens iguais e dos e-mails tão parecidos, dos jantares, das trocas de embrulhos, e dos encontros apressados só para não deixarem de ser encontros, ainda que apressados... e depois dos desejos e dos brindes e dos brilhantes e das noites e dos dias assim iguais aos outros dias, mas tão diferentes por terem que ser menos iguais... só por terem que ser.... e depois do ter que ser... o que virá depois.... depois... o que virá...
Pode ser quando
menos se espera. Ou se espera menos do que se pensa. Um dia ao acordar ouvimos
qualquer coisa vinda de dentro... que é dessa voz que vamos sendo. Sem susto olhamos as mãos. Uma e outra. E depois os braços. E depois... a pele
confere-nos sempre existência. É o nosso corpo a dar forma aquilo que somos. É a nossa voz. A nossa forma de andar ... por casa , na rua... sempre pensei na
forma de andar como a forma de ser. Nunca para mim uma e outra coisa se
separou. Perco-me no meu andar como me concentro no movimento de quem passa por
mim. E gosto de perceber a elegância com que se veste o ritmo de cada um. Para depois desnudar. Uns
mais apressados, outros mais devagar, outros parados... o ritmo dos passos dos
outros nunca me passa despercebido, nunca me passa despercebido. Nunca. E nos passos também há o olhar, que
uns mais que outros deixam passear. Passamos assim uns pelos
outros... uma vezes mais parados outras vezes sem conseguir andar, outras a passos largos
... Pode ser quando menos se espera. Ou se espera menos do que se pensa...
ouvirmos qualquer coisa vinda de dentro...
*Para ti, minha querida Madalena que hoje fazes 19 anos... e porque o teu nome também é, e será sempre, esta música no meu coração... e porque o amor que nos une, é e será sempre, a mais bela melodia... ritmada por cada novo dia...
Às vezes deveríamos ser de ferro, para dias menos fortes... outras vezes ser de ferro negaria a beleza da nossa fragilidade. Uns dias poderíamos ser nada e noutros
tudo, mas sabe-se que uns e outros dias, não aguentariam ser separados. Umas
vezes poderíamos ter sentido e outras vezes deveríamos perder a direcção... ir
rua fora mesmo fora de mão... Se uns dias nos perdêssemos, noutros seriamos encontro... entre o que poderíamos ser
e o que somos, corre uma cortina de ferro... forte e fraca, doce e amarga... e
disso afinal não somos todos nós?
...mas não sei o que aconteceu aos últimos comentários aqui deixados... do Ruimnm, do Remus, da Lina Reis e do mfc...acho que os apaguei sem querer:( se conseguirem, peço que os escrevam de novo. Obrigada e um beijinho