Mesmo de noite, onde a luz das palavras pode revelar ou o olhar pode dizer e depois amanhecer, clarear...
sábado, 21 de maio de 2016
segunda-feira, 16 de maio de 2016
quinta-feira, 21 de abril de 2016
terça-feira, 12 de abril de 2016
terça-feira, 22 de março de 2016
domingo, 6 de março de 2016
No azul do mar ...
… há um oceano com vista sobre o caminho
de pedra
de sal
de areia
de luz
de lembrança
que não se desfaz
que não adormece
não por ser dia
mas sim por ser prece
quarta-feira, 2 de março de 2016
Onde os livros moram ...
… moram também as frases por dizer ...
E mesmo que eu suba e espreite
ou me vista ao amanhecer
o silêncio de algumas frases
teimam em não se escrever
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Abracadabra
tenho uma casa de medos
onde escondo todos os passos destemidos
e tenho um escuro cinzento
forrado de sonhos adormecidos
e depois tenho pouco mais
dias assim
de horas iguais
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
terça-feira, 24 de novembro de 2015
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
A D. Fernanda
Ninguém gosta de ficar internado. Ou se está doente, ou para lá se caminha, e mesmo quando os filhos vão nascer é uma viagem com desejo rápido de regresso a casa. Mas se tem que ser, e foi o caso, assim seja. Por uma noite. Só uma noite. Não me deu o sono até me pedirem que engolisse de uma só vez dois comprimidos. Fique descansada, são só para ficar meia sonolenta. Comecei logo a pensar: mau...agora vão fazer-me perguntas e eu no embalo ainda respondo segredos meus. Engoli. Seja o que deus quiser. O resultado esperado aconteceu, fiquei sonolenta. Foi então que prometi descansar, e ler até subir para o bloco operatório. Dá-me licença, vai ter aqui uma companhia ao seu lado, diz a enfermeira ao entrar no quarto com um sorriso nos lábios. Olhei, vi uma senhora pousar no chão a sua mala azul de cadeado brilhante, o que me levou logo a crer ser uma mulher prevenida. E pensar eu que devia ter arranjado um cadeado para a minha pequena mochila... Não está com cara de doente?! Não, não, é coisa sem grande importância. Vimos as duas para o mesmo então, diz a minha companheira de quarto. "Companheira de quarto" é uma expressão tão militar, nunca fui à tropa mas sinto-a assim. Pois, disse eu. É a vida, diz a D. Fernanda. Mulher de cabelo vermelho, grande porte, voz clara e com tom bastante audível. A minha filha é que devia estar aqui, mas desteta hospitais. Foi desde o pai, mas eu digo-lhe: Carla tens que ultrapassar isso na tua ideia. A minha Sandra é diferente, essa vai logo onde tem que ir. E tem que ser assim, não acha? sim, sim, claro. Sentada na minha cama, marco o livro com os meus óculos e fico a olhar para esta mulher que fala enquanto olha pelo vidro e deixa o cotovelo entregue ao parapeito da janela. O pai era muito amigo delas, continua... e bom homem que era. Trabalhou a vida inteira atrás de um balcão. O patrão até dizia que ele não era um empregado, ele era um filho da casa! Coitadinho, sofreu dois meses e depois olhe...ficamos cá nós. Quando me pediu em casamento é que foi, o que ele afinou com o meu pai: "então você é o tal rapaz que trabalha no rei das peúgas?" O que ele foi dizer ao meu marido, uma vida a trabalhar no rei das meias, um orgulho para ele e para nós(risos). E o avô que ele era... as netas adoram-no. O que me salva é o trabalho, são as minhas colegas e as netas e isso... A D.Fernanda foi falando, eu fui ouvindo , o seu olhar parava lá fora quando falava do marido que perdeu há dois anos, mas que toda a vida se lembra estar a seu lado. As netas, as colegas do seu trabalho, até do genro da filha mais nova... ainda sorrimos as duas, ainda lhe disse algumas das minhas parvoíces. Voltamos a sorrir. Quando voltei ao quarto a D. Fernanda já tinha saído. Não lhe desejei as melhoras e a ultima vez que nos cruzamos foi quando eu saí do bloco operatório e ensonada lhe desejei boa sorte. Gostei tanto de conhecer a D.Fernanda! Foi só uma noite, coisa sem importância.
terça-feira, 3 de novembro de 2015
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
sábado, 17 de outubro de 2015
Recantiga
...
E era as folhas espalhadas, muito recalcadas do correr do ano
A recolherem uma a uma por entre a caruma de volta ao ramo
E era à noite a trovoada que encheu na enxurrada aquela poça morta
De repente, em ricochete, a refazer-se em sete nuvens gota a gota
Era de repente o rio, num só rodopio a subir o monte
A correr contra a corrente assim de trás para a frente a voltar à fonte
Um monte de cartas espalhadas des-desmoronando-se todo em castelo
E era linha duma vida sendo recolhida de volta ao novelo
Era aquelas coisas tontas, as afrontas que eu digo e que me arrependo
A voltarem para mim como se assim tivessem remendo
E era eu, um passarinho caído no ninho à espera do fim
E eras tu, até que enfim, a voltar para mim.
domingo, 11 de outubro de 2015
E depois o sol vai dormir...
É sempre assim quando chegamos da praia, as conversas entre amigos sentam-se aqui. Os mesmos risos, que sabemos de cor... as piadas sempre tão disparatadas, inesperadas, inesgotáveis, únicas. Cada piada tem uma voz diferente. Não somos todos iguais. As cadeiras vão ficando ocupadas, na cozinha está o jantar. Vais tu ver o lume? deixa, eu vou. Ouve-se um grito, mais um susto para nos fazer rir. Mais gargalhadas. Agora a sério, querem saber... sentimos nos olhares o silêncio esperado, mas que se quebra com mais sorrisos. É sempre assim... com os amigos do coração, é sempre assim. E depois o sol vai dormir...
Etiquetas:
5 sentidos,
Acontece,
Amigos,
Do meu olhar
domingo, 4 de outubro de 2015
Subscrever:
Mensagens (Atom)






