quinta-feira, 19 de março de 2015

Podemos (com) aquilo que somos...



Ainda que mal pergunte 
ainda que mal respondas 
ainda que mal te entenda 
ainda que mal repitas
ainda que mal insista 
ainda que mal desculpes 
ainda que mal me exprima 
ainda que mal me julgues 
ainda que mal me mostre 
ainda que mal me vejas
ainda que mal te encare 
ainda que mal te furtes 
ainda que mal te siga
ainda que mal te voltes 
ainda que mal te ame
ainda que mal o saibas 
ainda que mal te agarre 
ainda que mal te mates 
ainda assim te pergunto 
e me queimando em teu seio 
me salvo e me dano: amor. 


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 6 de março de 2015

Quando o que foste, pode ser para sempre o que tanto serás...


* para a minha querida amiga Margarida, onde quer que esteja...
** para o meu querido pai... ele sabe o quanto...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Quarto com vista sobre a cidade ...



... quando no semicerrar dos olhos se escutam manhãs silenciosas por tudo o que as palavras calam ... 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Valsa...




Será só matéria em rotação? 
É mistério, mera maldição?
Desentristecer a custa e abrir mão 
Duro vai ficando o coração de quem não quer 
Dar-se à dor de ser quem é 
É da terra a sombra de ser só 
Adiada sina de ser pó? 
Ir desaprendendo a custo e abrir mão 
Duro vai ficando o coração de quem não quer 
Dar-se à dor de ser maior 
Contemplar o céu 
Não tem fim 
Enfrento o reverso 
Dou-me ao universo 
Rumo ao fundo em mim 
Será só o sangue em pulsação? 
Ou é do céu a sina da mão? 
Dar às asas e cortar com a raiz 
Duro vai ficando o coração de quem não quis 
Dar-se à dor de ser feliz 

Miguel Araújo

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Baloiçam ainda nos dedos...


... todas as palavras escritas como se fossem manhã
para depois ao lusco-fusco adormecerem nas minhas mãos...



quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Beijo ...


... momento efémero
quando a vontade resgata
nos lábios o desejo

memória inquieta
que abraça a lembrança
fechada no peito



* (feliz 2015 para todos aqueles que espreitam esta janela)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

De olhos semicerrados...



... (porque a chuva turva cai...)
consigo desfolhar
a mesma árvore
que plantei do meu olhar...

quando o sol vier
que venha

importa o momento
ou até a hora
que narra essa história
e que o tempo só sabe eternizar ...


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Passeei numa floresta de um rio...


... onde o verde mergulhado em brandas águas salpicava ramos e folhas num pingue pingue sem fim ... 

sábado, 1 de novembro de 2014

Escolho da noite...



... a luz mais solar
que roubo à lua
para embrulhar sonhos 
de oferecer ao coração
... e depois antes do acordar
peço ao céu que guarde
na voz de uma estrela
essa minha canção...

escolho da noite, a voz
a mudez, não!


sábado, 18 de outubro de 2014

Vhils (três)


... prendi os meus olhos na rua em que passaste por mim ...

domingo, 12 de outubro de 2014

Este meu filho...

- Vais ter teste de matemática, tens que estudar!
- Oh mãe...
- Então não queres ser veterinário?
- Mãe, para ser veterinário eu tenho é que saber de estômagos e como tirar balas a ovelhas... pensas que ser veterinário é só dar festinhas aos cães e dizer: oh... tão fofinhos...

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Vhils (dois)


... ver o mundo da janela dos teus olhos
quando olho o teu rosto com os meus ...

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Vhils (um)


... hoje ... saio à rua só para ver as paredes falarem com alma ...


*quando crescer quero ser o Vhils!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Para sempre


...  contigo ... haverá música no meu coração...

*Parabéns pelos teus doze anos, meu querido filho Duarte!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Há um rio coração...


... na doce margem do peito
que flui navegando
nas águas brandas de um leito...
e depois há na pele 
o salgado do mar
que nesta paisagem relembra
o lugar de alcançar...

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Lençol de trigo...



... onde se deitam searas
e se dobram planicies
onde no peito se guardam as brisas
que se elevam nas sombras
onde se desfazem os trilhos
e onde nada do que era antes
nada do que foi
se desnua ...
por ser o tempo mesmo assim
o nome
e só o nome
de uma mesma rua

sábado, 6 de setembro de 2014

Quando os olhos se deitam assim no horizonte...


... faço abrigo com todas as letras de saber de ti ...

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A ordem natural das coisas...



... férias

              ir

                   para não ficar

                                    sol

                                          água

                                                livros
  
                                                         para 

                                                               mergulhar

                                                                            na sombra

                                                                                  e ... fotografar
                                                                                                         fotografar

                                                                                                                  fotografar...

            

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Noite dentro


Há um encanto suspenso numa noite assim...para iluminar minutos sem contagem crescente até ser manhã...há um encanto eterno dentro do escuro do céu...que só a noite tráz... e há em mim nessas horas, uma vontade maior de ser tudo aquilo o que um livro faz...


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Diálogo




dizes-me?
não comeces...
dizes-me?

(        no meio deste espaço rasga-se um sorriso de sim         )

digo-te!




quarta-feira, 23 de julho de 2014

Trago em mim este amor infinito ...


Faz hoje vinte e um anos que nasceste. Tudo aquilo que até aí eu vivia de uma determinada forma, ganhou desde esse dia forma única. O meu olhar duplicou, todos os outros sentidos também. Os passos menos cautelosos experimentaram ficar mais cautelosos, e até hoje e para sempre não deixarei de andar contigo no meu coração. Os medos começaram a ter outro lugar, estenderam-se para além de mim... já os sonhos, dobraram no meu peito. Comecei a encontrar mais linhas no horizonte, a saber perder-me no tempo... e a perder-me com mais tempo... olhar tudo mais longe. Hoje, quando lembro o dia em que pela primeira vez te segurei nos meus braços acabada de nascer, parece-me um sonho, um sonho que trago em mim todos os dias para viver. Trago um sorriso infinito de partilhas, mesmo quando abro o armário à procura da minha camisa preferida  e a encontro vestida em ti. Hoje trago em mim a felicidade de reunir os amigos e família para te festejar... trago este amor infinito que nos une e que o teu sorriso  espelha no olhar... Parabéns, minha querida filha Madalena! 

terça-feira, 8 de julho de 2014

Conversa ao jantar... com final (in)esperado


... hoje deram-me trinta e cinco anos! 

Oh mãe, as pessoas dizem sempre coisas assim para serem simpáticas!  Eu lembro-me que na primária quando fazia um desenho  e depois dizia aos meus amigos que não gostava nada dele, eles depois diziam sempre: Oh Duarte, tá bué da giro! É sempre assim mãe...

E então Duarte, diz-me lá qual é a moral da história?

A moral da história mãe? (sorriso de sempre quando vem disparate... )

O menino aprendeu a andar de skate!

domingo, 6 de julho de 2014

Aguaceiro


! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! !


* queria um post menos exclamativo ( onde pudesse espreguiçar palavras ...)  mas o cinzento do dia deixou-me assim!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

É esse o meu chão...


... o das palavras poema
pousadas na minha mão

é esse o meu chão...


terça-feira, 17 de junho de 2014

Lançava nos sonhos nascidos das mãos ...



... as asas que o peito guardava voar ...

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Para lá de tudo isto...


... e dos vidros quebradiços e frágeis
existe céu
algodão e reflexos
de ramos que eu vejo
e árvores que oiço
e tudo isto anda 
na corrente de um rio...

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Olho-te ...





São essas palavras escritas
ditas com o olhar
que fixam letras na minha pele

embalo cada canção prometida
cada verso momento
oiço nesse raro lamento
um enorme rasgo de mel

 depois vejo-te sorrir
num verso perfeito
deixar a vida seguir
e o mar dentro do peito


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Caminhar...


... também é seguir os passos que nos levam até nós ...

quarta-feira, 14 de maio de 2014

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O olhar do meu filho ...



"Mãe, dá aí... " Quando passeamos este é um pedido a que não resisto ceder, passar a minha máquina para as mãos do meu filho Duarte. E depois deliciar-me com a explicação dele sobre as escolhas que fez, os detalhes que encontrou sem que eu desse por eles... é essa a beleza dos detalhes, serem encontrados por um olhar único... Fico deliciada a ver o Duarte tirar fotografias... e eu de longe a ver ... e a lembrar o seu ar impaciente de outros tempos, quando parávamos o carro e ele dizia "Oh mãe, não demores muito a tirar fotografias às mesmas gaivotas de sempre..." Hoje ele percebe que há um tempo merecido e precioso que dedicamos às gaivotas de sempre... e o seu ar impaciente de outros tempos é hoje um olhar atento e desperto... saber esperar é uma virtude, e ter uma filho assim, a felicidade...

terça-feira, 15 de abril de 2014

Dias em flor...


...para tecidos de vestir primaveras... 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Lugar onde os sonhos se bebem a cores...

... e onde no caminho até às sombras se podem saborear olhares a preto e branco...

quinta-feira, 27 de março de 2014

É manhã da minha janela...


... porque te vejo chegar
e é por ser manhã 
que mora em cada novo dia
a vida que nos irá habitar

sexta-feira, 21 de março de 2014

Pudesse eu ...


... ser cada meia asa de um sonho
e cada metade de uma estrada
parte da lua
e do dia a madrugada

pudesse eu
nesse voar delirante
desenhar aos pássaros o céu
ser da sombra a luz submersa
para tudo isso seres tu e eu

quarta-feira, 19 de março de 2014

Abrigo...


... quando um lugar de unir habita dentro do peito ...

quinta-feira, 13 de março de 2014

Eu cá, com os meus botões...

... nem às paredes confesso ...

sábado, 8 de março de 2014

Tão perto...


... quando nada em mim se torna longe ...


domingo, 2 de março de 2014

Os dois lados da janela...


... quero ver todas as gotas 
transparentes e luzidias
que os dias choram correr peito fora
quero ir mar de vidro
e embaciar com a minha voz
para depois os dedos desembrulharem
estradas de nitidez
e eu ver lá fora
e cá dentro ser 
manhãs e dias inteiros 
e noites sem nevoeiros
ter nas mãos o ar
e respirar
os dois lados da janela ...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O que importa agora...


... é a luz que os meus olhos fixam
pelos caminhos que vejo
nas avenidas de nuvens
macias e ténues
que se prendem nas minhas mãos
é este caminho
onde trago tudo o que fui
e por onde sou agora
tudo o que será, será
o que importa neste caminho de aurora...

*hoje, é o número mil a dizer as vezes que a  Clarice vos encontrou por aqui... :)


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Ainda há pastores ...

... que nos falam dos sonhos de bem guardar ...

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Por este caminho...

... são as árvores que indicam os tons que os meus e os teus olhos fechados tatuam na alma de primavera... eterna primavera...  por este caminho...

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Deitar numa planície cada palavra não dita ...


... para escutar melhor o sentido de um horizonte... enraizado no tempo... escrito nas cores de cada estação ...

domingo, 12 de janeiro de 2014

Estrada para dias de devagar...

... por onde, quem sabe... a neblina seja o rumo até ao mar ... 

sábado, 28 de dezembro de 2013

Rumo ...



... quando o meu olhar se deita 
a esperar manhãs de alvorada ... 
quando o sol brinca com a chuva
para o caminho ser já madrugada ...