quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Bom 2009!


.
ir ao Japão
comer tostas mistas sempre que me apetecer
mesmo a meio da noite
jantar queijo em vez de carne e peixe
ter sempre sopa feita
comer gelados até no inverno
andar descalça em casa, sempre!
gostar cada vez mais de vinho tinto
e bebe-lo fora das refeições se me apetecer
e até pode ser enquanto limpo a casa
ou quando oiço música, tanto faz
não sou alcoólica , juro!
o mais longe efeito que fez, foi rir só mais um bocadinho
escrever de tudo no meu caderno de capa preta
deitar a língua de fora a quem me apetecer
puxar para mim quem eu mais quiser
beber água fria com gás e rir-me de quem também o faz
chocolates sempre por perto

e os amigos lá em casa, hoje, sempre, mas hoje
falar horas a fio com as minhas duas Marias
terminar as nossas conversas assim: “depois falamos melhor”
arrumar as gavetas
tirar fotografias ao que me apetecer
ter fotografias nas mãos
e ver, ver, ver…
escrever
escrever
escrever
ler
muito
estar com os meus filhos

falar
muito
sonhar
mas menos
olhar em frente
deixar de olhar tanto para trás
perder menos

muito menos
andar na praia mesmo de inverno
ir viver para mais longe
mas ficar sempre perto do mar
ir a África
ir a África
ir a África
voltar muitas vezes a Londres
ir sempre a Itália
encontra-me outra vez

encontra-me...


*estas listas são tão perigosas!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Tão perto de mim...


... pode ser tão longe ...
.

porque não me pertences
porque voas no meu primeiro gesto
porque voas e eu fico

.
de longe...
eu olho o teu voo
livre
e gosto de ficar presa nele
gosto de ti
mesmo que seja a sonhar
gosto de ti
tão perto daqui
.
e gosto, mesmo que seja tão longe de mim...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Segredo

Às vezes sinto-me assim... estátua, de pedra e sal!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

É urgente!

Feliz Natal
.
Urgentemente
.
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos,
as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
.
Eugénio de Andrade

*vou por aí fora com poemas assim...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Cinema

"Eu não sei se ela sabe o que fêz

quando fêz o meu peito cantar outra vez..."

.

*o que nunca sabemos, do que os outros sabem de nós...

**há vozes que nos seguem, para fazerem o nosso peito cantar outra vez ...

***esta música é linda, "Cinema" de Chico Buarque, e dá nome a este post.

Todas as noites

Todas as noites antes de adormecer, equilibrava cuidadosamente sobre a mesa da sala, relatos e desejos que um dia lhe iria dizer. Os anos passavam e a mesa cada dia mais cheia de palavras, marcava a certeza de que nunca ninguém chegaria para as receber.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Felicidade



Se eu estivesse lá …
chegava de barco
para ver a terra
do mar
chegava mais cedo
a tempo de sonhar
os teus braços
enlaçados nos meus
e depois ?


Se eu estivesse lá…
começava
outra vez
nascia
de barriga
na tua
e ficava
assim
quieta
nua

Se eu estivesse lá…
o teu braço
era maior
para me puxar
e então
os dois
uma árvore
gigante
plantávamos
no mar


Se eu estivesse lá….


Sobre rodas



o corpo também fala...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mais longe

Acordei mais longe
quando vi que o amanhecer
diz ao vento que a lua
anoitece sem se perder

num sopro

sigo pelo vento
e é quando afasto do caminho
a névoa do momento

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Vilarejo



Os caminhos

Os vestidos

Os destinos

E essa canção...

*há músicas que me acordam e andam comigo até ao anoitecer...

**hoje é esta a música que me acompanha para falar de lugares... de pessoas...

***Marisa Monte

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Open space


Quero a minha alma “elástica” com vista para um mar infinitamente belo… e no espaço soltar os meus desejos... livres, sem preconceitos... sem barreiras ordeiras, sem limites, livres…
E de terra, olhar… até me perder de vista…

.
*soltar... para um mar que me cala de espanto e me resgata ilusões.


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A Carla e eu

Domingo à noite numa grande superfície nos arredores de Lisboa … na esperança de sermos poucos… e de facto não éramos muitos, mas parecíamos milhares. As minhas escolhas eram muitas, a vontade de escolher é que era pouca, muito pouca. Ainda sem nenhum saco na mão resolvi parar para jantar.
Pasta ou salada? pasta. Tagliatelle mais cinco escolhas, e molho. Carbonara ou cinco queijos? Cinco queijos!
.
Sentada numa mesa que se ligava a outras mil cheias de copos e pratos já usados e pessoas carregadas de sacos, dei a primeira garfada quando “ouvi” e depois olhei, a “expressiva” família que tinha como vizinha de mesa.
“Cala-te Carla, já te comprámos as prendas. Esta miúda é mesmo estúpida!”
“ Ó Paulo (diz, a que presumo ser a mãe da Carla… porque são do mesmo tamanho e largura, e porque têm o mesmo corte de cabelo e nuances da mesma cor… apesar de uma não ter mais que doze anos e a outra aparentar uns quarenta e tal…) não fales assim, ela é estúpida mas já percebeu que não vai ter mais porcarias nenhumas!”
.
Depois desta entrada triunfante perdi a postura e acho que ao abrir a boca de espanto me babei… Compus-me, e confesso que atrasei propositadamente a minha refeição para ficar até ao final do jantar (quase de Natal) da família da Carla.
Levantaram-se, a mesa deixaram-na como provavelmente deixam as palavras fugirem da boca, em péssimo estado… eram só três a jantar e pelas minhas contas deixaram loiça e guardanapos para mais vinte!
.
A frase da noite não me saía da cabeça: “Ela é estúpida mas já percebeu…” .
Já no regresso a casa… com as luzes a piscar que iam aparecendo nas janelas, e os homens de vermelho e barbas branquinhas a subirem pelas varandas, andar sim, andar não… fiquei novamente sem vontade de Natal.
Desta noite de olhares espantados, apressados, e de mãos carregadinhas de sacos, provavelmente cheios de “porcarias nenhumas”… trouxe um aperto no peito que me acentua o pouco espírito da época.
.
Evito a palavra, evito os embrulhos… gosto de dar, mas não gosto de receber assim, só porque estamos lá, na época!
Nesta altura em que todos resolvem “olhar” para todos, existem lugares vazios … e esses lugares partem-me o coração. Lugares pertença de quem já partiu, e lugares por nascer, de quem não chegou…

Vêm as perdas ao de cima… vem à flor da pele o toque que já não existe… e fica uma profunda indignação por perceber que estão muito mais presentes na vida das “Carlas” os pais natais que sobem os prédios altos, do que os que descem pelas chaminés…

*excerto de um texto muito maior que aqui não fazia sentido colar...

**há conversas, mesmo escritas, que nos fazem mudar de ideias... e então publiquei um pedaço do texto...


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Agora



Agora
deitada
escuto…
oiço
nada!

.
Não procuro
não espero
não quebro
nem desespero
espreito
a rir
outras vezes
detesto
mesmo a fingir...

.
Agora
não é
depois
é agora
e já foi
o momento…
quieto
ou em revolto
movimento

.
Agora escuto... consigo ouvir ?
depois esqueço
quando estou a mentir


domingo, 14 de dezembro de 2008

Escolhe


Escolhe uma flor para as tuas mãos plantarem no meu cabelo …
... e depois fica e vê …

sábado, 13 de dezembro de 2008

Carta


A vida inteira foi coleccionando sabores, odores e em cada viagem que fazia escrevia-lhe postais sem destino. Olhava e descrevia-lhe o mar que via nos olhos. Os pés contavam os passos que a levariam a ele. Ouvia atenta, todas as histórias que um dia lhe iria contar. Guardava as imagens dos longos passeios que dava na praia, dentro de uma caixa de prata que trazia no bolso. Cantava canções de cor para nunca as esquecer. Dizia os poemas mais longos para não terem fim. Falava as mais doces palavras para não esfriarem. Unia as suas mãos, como se fossem quatro.
Juntou todas as palavras que lhe iria dizer na carta que nunca escreveu.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Entre mim e lá fora...


Eu sei lá se a água que escorre nos vidros é chuva, ou se é o céu que chora e sou eu que não consigo perceber.
Eu sei lá se são as gotas que brincam lá fora, ou se sou eu que não quero ver.
.
Entre o céu e a terra, dois tons …
Entre mim e lá fora, a vida!
.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Há palavras e palavras!

.
A Palavra
.
Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
.
Que resumiria o mundo
e o substituiria.

Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos,
saboreando-a.

.
Carlos Drummond de Andrade
.

Cansaço

De olhos fechados... acordo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Eficiência ou o lado mais prático da morte

.
A senhora da agência funerária dirigindo-se para um familiar do falecido:
.
Vai tudo correr bem! Vão ter lá (referia-se à capela mortuária), máquina de café, e ao lado vai estar também uma família… impecável!
.

*é por estas e por outras, que os risos aparecem nestes lugares também…

Desvio o meu corpo e toco no teu

Fecho os olhos das sombras que brincam à minha frente. Fazem fintas os fantasmas... temem que seja gente. Desvio o meu corpo e toco no teu, quando teimo em fugir à noite do céu.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Suspiro

Se num só suspiro se soprasse a alma inteira… ficaria hoje sem pingo dela, ou não teria eu alma nenhuma.

Dizia aos poemas


Os dias eram marcados pelos mesmos horários, rotinas e hábitos. Pedro saía de casa sempre com as mesmas certezas, entrar no café do bairro, seguir pelo passeio até ao escritório onde trabalhava desde que saíra da faculdade. Os bons dias eram distribuídos pela mesma ordem de sempre até finalmente se sentar na sua mesa de trabalho. Pedro gostava do que fazia, mas também sabia que não fazia tudo o que gostava. Ao final do dia o percurso inverso marcava o regresso à casa onde prometera o futuro. Promessa que iria cumprir com a convicção de quem se promete a uma felicidade planeada. À noite na mesa da sala onde escrevia, Pedro dizia aos poemas aquilo que sabia e não sabia de si. Perdia-se nas palavras onde mais se encontrava, e era feliz assim.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

De olhos fechados


Nas noites em branco em que os olhos brincavam com a luz, Maria corria na praia. Fazia do escuro manhãs claras e deitava as noites para dormir. Em compassos musicais, com os pés descalços na areia molhada, dançava, dançava… Nas mãos segurava dois lenços brancos onde agitava todos os sonhos em frente do mar. Cansada, parava... cada vez que uma onda lhe rebentava nos pés, Maria olhava o mar fixamente, e o mar dizia-lhe que fosse dormir. De olhos escuros, desafiava as ondas numa outra dança… Os braços rodopiavam seguros vestidos de branco, e de cada vez que os lenços lhe tocavam o rosto... Maria sorria porque era o amor. De olhos fechados deixava-se amar, até que a noite adormecesse fazendo o dia por fim acordar.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Vens?

Ficas?

sábado, 6 de dezembro de 2008

E se ...

… a vida fosse como nos filmes?

.

Passaram 3, 4, 6 ou... 9 meses!
.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Sábias cores

Sábias as cores que se estendem ao sol, e se tornam mais nítidas com a luz. Sábias as cores que não teimam mergulhar no breu e insistem nos tons. Sábias as cores que contrastam e se definem, mas sempre por perto, e sábias porque se misturam e não chegam nunca a ser deserto. Sábias, as cores ao sol espelham aquilo que amam, e negam o medo de amar. Deixam trazer vontades porque sábias, ouvem, e querem saber das conchas... e do mar.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Atrás da porta ...



... há gente !

Pois é !

É a prova mais doce
Quando me escutas
Que os teus olhos dizem
O que outros calam

.
E mesmo molhados
Ouvem e repetem
Que é para seguir
O que parece partir

.
Cada troca
uma lição
Amigos assim na minha mão

.

*parabéns Dani!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Amanhecer

Espreguiçar todos os desejos estendidos nos lençóis, que os braços podem ainda lembrar… e de olhos cerrados olhar, olhar, olhar …

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O desafio de Cati

A menina dos beijinhos estrelados, cati convidou-me para um desafio. É a minha estreia, em "saltos" destes aqui na blogosfera!

.
Ingredientes:



*colocar uma foto individual nossa

.
*escolher uma banda/artista


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*responder às questões somente com títulos de canções da banda/artista escolhido


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*escolher 4 pessoas que respondam ao desafio, sem esquecer de avisá-los






Aqui vou eu......


.
1. um bocadinho de mim…



2. O artista escolhido: Caetano Veloso
*
3. És homem ou mulher? "Clarice" :)
*
4. Descreve-te: às vezes tenho “Uma força entranha … outras vezes ”Quem me dera ter...
*
5. O que as pessoas acham de ti: que dou “Sorte” (grande responsabilidade …) “Quando” viajo no “Trem das cores”!!! “Quem me dera” andar sempre assim…

6. Como descreves o teu último relacionamento: “Ah! Bruta flor do querer, Ah! Bruta flor, bruta flor…” (refrão de “O quereres”)

7. Descreve o estado actual da tua relação: Olha que “Nua ideia” eu dar uma resposta destas aqui! :)

*
8. Onde querias estar agora? a dizer “Outras palavras”

*
9. O que pensas a respeito do amor? não “Acontece” só nos “Sonhos”, chega sem esperarmos a voar num “Tapete mágico”. Mesmo “Fora de ordem” só é “Verdade” se for “Muito” .

*
10. Como é a tua vida? um “Ciclo” !

*
11. O que pedirias se pudesses ter só um desejo? o “Oceano” ...
*
12. Escreve uma frase sábia: “Amanhã será outro dia…” (parte de “Amanhã” )


*
*

Agora vou bater à porta de quatro meninos: truz! truz! truz! truz! Desafios devem ser livres por isso as portas a que bati abrem-se para este convite ou não, sim?

+
+

Vítor
*
Margarida Faro
*
Lady Godiva
*
Sofia


.

Aragem

Vento mais lento
que toca o rosto
com cheiro incolor
que tráz no ar gélido
sabor …
.
Vento mais lento
que nesse instante
toca insinuante...
nos fecha os olhos
nos pede e rouba
os meus cabelos
a minha boca

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Passos no gelo...

... ou na lua!
.
*esta fotografia veio da neve direitinha para mim. Obrigada Dani!!!

domingo, 30 de novembro de 2008

Caminho


Não se viam há pelo menos dois anos e ela adivinhava o difícil que seria voltar encontra-lo. Na rua vazia, apenas se ouviam os seus passos molhados. Passavam trinta minutos da hora marcada e o atraso propositado era o medo de morrer outra vez. A sua respiração acelerada parecia abrir-lhe o peito. Parou, fechou os olhos e sentiu a chuva a cair-lhe no rosto… lambeu os lábios salgados e percebeu que não era medo, era a vida a dizer-lhe que voltasse para trás. Sorriu, e ainda assim continuou, mas mais devagar…

sábado, 29 de novembro de 2008

SMS

Ainda meia a dormir…
.
Mãe recebeste uma mensagem!
.
“Tá a nevar.”
.
Eu que sou do calor, muito mais do que do frio, e muito menos ainda do gelo, fiquei derretida...

Os amigo fazem milagres, e logo pela manhã!
.
*obrigada Margarida.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Sonho Impossível

.

Dever de Sonhar

Eu tenho uma espécie de dever
Dever de sonhar
De sonhar sempre
Pois sendo mais do que um espectáculo de mim mesmo
Eu tenho que ter o melhor espectáculo que posso
E assim me construo a ouro e sedas
Em alas supostas
Invento palco
Cenário para viver o meu sonho
Entre luzes brandas e músicas invisíveis

Fernando Pessoa

.

* o vídeo não estando nas melhores condições técnicas, ganha pelas excelentes condições expressivas , reais, humanas…

.
** ”Sonho Impossível” de Chico Buarque aqui cantado por Maria Bethânia, dá nome a este post.

.
*** este poema de Fernando Pessoa, tenho-o sempre na memória recitado pela minha diva, Bethânia… voz que me acompanha desde sempre...

**** ontem recebi do meu amigo Vìtor do Sal Sol Sul, esta dupla completa:poema e canção. Estava este post já a nascer... há coisas assim...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Onde moram os livros

Para objectos dignos, lugares especiais! Sempre me fascinaram os lugares onde repousam os livros. Gosto de prateleiras desiguais, às cores, ou cinzentas. Gosto de entrar numa casa e descobrir onde moram os livros ali. Gosto da forma como estão arrumados ou como caem inclinados. Gosto deles até no chão, mesmo à minha mão. E depois quando os trago comigo gosto de olhar o lugar vazio no espaço que deixaram. Gosto de olhar as prateleiras numa sala quase às escuras, apenas acesa pela chama de uma vela… gosto de as olhar e deste namoro encontrar o livro certo para ler, ou simplesmente deliciar-me com o prazer da escolha…

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Vestido vermelho

.
de um pé nascente
no momento exacto…
quieta
em volta
de um instante imediato
.
visto-me então de pétalas para nascer outra vez...

sábado, 22 de novembro de 2008

quem sabe...


.
.
.
Quem sabe
despindo as palavras
consigas olhar-me
...
Quem sabe
se assim
seja tudo verdade

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Marcha atrás

.
Mamã dá licença?
Dou!
Quantos passos?
Três à Caranguejo!

.
Um

.
Dois

.
Três

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

nem o mar

Nascem sonhos do mar, troncos soltos pelo ar, nascem nos dedos vontades de tocar... vontades de enrolar... nascem imagens por repetir, e tremores por ouvir... e da alma brotam saudades desvairadas de te ter, e eu acho meu amor que nem o mar nos vai perder…

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Vá-se lá saber porquê!...

Sépia perfeita
Translúcido contraste
Enquadramento metódico
Assimetrias encontradas
Focagem perfeita
Simplicidade dos elementos
Podia estar menos centrado
O preto não lhe fica mal, mas está branco
Belo alinhamento captado
Isto não é nenhum poema, só estou a divagar para vos dizer isto que se segue:

Entro num blogue de fotografias e encontro títulos a darem sentido, rumo… e é esse mesmo sentido próprio dos autores que me fascina. Nasce no instante do primeiro olhar, segundos depois é o "nosso" espreitar que faz o segundo olhar acontecer. Então, já são mais do que dois olhares, o do autor, o "nosso" e o de quem irá "ler" tudo por esta ordem infinita de olhares… Até aqui tudo perfeito, isto dos "olhares" a tomarem conta de mim! Mas quando me aparecem pela frente comentários mais técnicos às fotográficas (o que faz todo o sentido) é que bloqueio, vá-se lá saber porquê! …

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Elis Regina Montreaux 1979

"Madalena".

Esta música mexe comigo, mesmo!

espreitar...

... também é olhar!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A voz do frio

Ela não tinha mais dúvidas. A sua viagem ia começar naquele dia… com as malas cheias de sonhos que iria vestir noutro lugar, ansiava partir. Trazia dentro de si quase a vida toda, mas sabia que noutro lugar iria nascer mais vida. Tinha perdido pedaços de tudo, mas tinha aprendido que amar intensamente era a sua única verdade. Mesmo só, sabia que esta era a viagem que podia faze-la partir… acreditar que o amor que sentia nada tinha destruído, e que ia nascer ainda mais dentro de si. Ela não tinha mais duvidas, e por isso entrou e sentiu o frio na sua cara a dizer-lhe que fosse, que partisse agora…

domingo, 16 de novembro de 2008

"Desenrasque-me lá isso"

À espera que chegasse o segundo autocarro que iria levar um grupo de crianças ao Teatro, verifiquei que o dito transporte não possuía cintos de segurança com três pontos, como eu tinha solicitado.
Ao telefone com o responsável da empresa transportadora:
E agora? perguntei eu.
Desenrasque-me lá isso até Lisboa, disse-me ele.
Nunca na minha vida me tinham pedido para desenrascar nada, muito menos até Lisboa, nem sei mesmo se algum dia vou desenrascar alguma coisa.
Resultado: autocarro para trás, e outro nas devidas condições para a frente, ainda que com atraso de meia hora!

sábado, 15 de novembro de 2008

Ainda hoje

Quando entrou ainda ele não tinha chegado. Trémula por não saber o que iria sentir ao vê-lo, saiu para fumar um cigarro. O fumo levou-a para mais longe de onde nem se atrevia a olhar para trás. Cada passo, cada hipótese de ele já ter chegado. No regresso do cigarro… ele, ali mesmo a dois passos dela. Sempre bem arranjado trazia naquele dia companhia. Ela, muda, ainda assim cumprimentou-o, sorriram, e ela seguiu. Ainda hoje não consegue descrever quem o acompanhava naquela noite. Se era mulher, ou homem, ou se era apenas a sombra que ela própria não gostava de ter sido.
Ainda hoje quando acende um cigarro olha na direcção do fumo. Na ilusão de que o que o fumo leva em névoa, pode ainda trazer em passos. E é assim na sombra dos dias que ainda hoje olha para trás.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Temos?

stop, pause, play...pause,pause,stop, play....stop


Seria tão mais fácil termos botões...

De súbito espanto

.
De súbito espanto
de um enorme desencanto
traz o frio num manto
dispo-me...
e escondo na noite
a minha voz
e já não oiço a tua

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

11 de Novembro de 2008

.
Quem quer castanhas assadas?



Assadas, por quem todos os dias o faz na rua, mas que no dia de S.Martinho gentilmente o fez dentro de uma escola, quem quer?


Apr(e)ende-se quanto mais próximo...
.

quintafeira

Há dias que se colam a datas e datas a dias... e depois ficatudopegado!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

e hoje...


E hoje...
é mais sugus
nada de abusos a escrever
doces
de várias cores
laranja
de todos os sabores
quadrados
eternos ... ... ...
humorados
morango
menta e limão
fica um post mais suave
mesmo que fora de mão!

*há sugus para todos!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Baldes, de água fria!

.
A sério? Que bom! Perfeito. Ainda bem. Tu merecias. E logo agora, que sorte. Chegou na altura certa. Era o que estavas a precisar. Não era a altura agora, mas que bom! Eu já sabia que um dia isto ia acontecer. Ainda bem. Vês, nada é por acaso! Que bom! Vi logo pelo teu sorriso. Vi nos teus olhos, no brilho. Que bom! A sério?
.
*um doseador para banhos frios? já inventam tanta coisa...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

para sempre

aprender...



... a ser feliz!

domingo, 9 de novembro de 2008

Com as palavras na mão

Ouvi-o pela voz de quem o escreveu. Nas mãos segurava o papel por onde guiava o seu olhar baixo, atento e brilhante, muito brilhante. Os olhares em sua volta ouviam mais do que a leitura de um poema, ouviam uma vida que fora para cada um de nós, também um pouco de nós. Ouviam memórias, saudades, muitas saudades, mas a eterna certeza de que quando se ama e se está perto, se constrói, se permanece, mesmo depois da morte. As mãos que seguravam as palavras em poema pousadas numa folha de papel, tremiam seguramente por vida e por amor.

*para ti, Margarida!


sábado, 8 de novembro de 2008

Um, dois e...

...três!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Doce soma

suspiros ...
.


+ chocolate ...


= ...



O mellhor bolo de chocolate do mundo !
.
Sirvam-se, e bom fim de semana!
.

*a etiqueta "chocolate" vai nascer hoje e o motivo é simples: já falei e vou voltar a falar, com quase toda a certeza, deste "vício" castanho que faz as minhas delicias!

os meus passos

Os meus passos andados, palmilhados e guardados em segredos no chão. Os meus passos achados em caminhos nublados, querem passadas que não dão. De manhã saem de mim, à noite voltam sem fim, vazios, atrapalhados, molhados, porque não foram ou porque já não querem ser passos assim.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

ensaio

Saiu de casa cedo, o frio gelava os passos que diziam uma direcção. Caminhava assim ao som que convinha, e ritmava palavras que gostava de dizer. Mas também as que sabia não poder dizer. Os lábios ora cerrados ora mordidos, gesticulavam palavras mudas, silenciosamente… as mesmas que iriam mais tarde, dizer este dia.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

onde?

a pergunta que nos faz procurar o lugar, certo?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Os dias de um quarto maior


Sentados lembravam agora os dias de um quarto maior, as vozes de meninos e meninas, piões e carrinhos de linhas. O violoncelo a tocar, e entre panos e olhares, meninos a brincar. Eram os filhos, nas mãos de quem sonhava um dia casar. Eram sonhos de um sótão escuro e repleto de ferros e loiças, de medos e bruxas. Os seus olhos fixam agora quem passa numa sala mais clara, e juntos, despidos em sonhos, dizem aos livros que vivem por perto, palavras do coração. Sentados, lado a lado, seguem os olhos de quem os guarda como se fosse numa canção.

talvez

.
a sobrar
num só caminho
gemido desenfreado
um único ponto
sinal
de um lamento entrelaçado
.
talvez auroras por nascer…

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Minha herança:uma flor


Sim, esta música tem quilómetros. Tenho-a ouvido repetidamente nas minhas voltas diárias de carro.
Pertence ao álbum “Sim” de Vanessa da Mata, que tem para mim uma lindíssima capa.
“Minha herança: uma flor” aparece no final do disco com uma surpreendente letra e música. E às vezes é assim… a ultima música de um disco, como a ultima cena de um filme a surpreenderem-nos.
.
*Nos “Mestres & As Criaturas Novas” (aqui indicado no Clareando) , passa o vídeo onde se pode ouvir a música desta lindíssima herança que aqui hoje vos deixo escrita, quase em jeito de testamento… para a vida!
.
Minha herança: uma flor
(Vanessa da mata)

Achei você no meu jardim
Entristecido
Coração partido
Bichinho arredio
*
Peguei você para mim
Como a um bandido
Cheio de vícios
E fiz assim, fiz assim
*
Reguei com tanta paciência
Podei as dores, as mágoas, doenças
Que nem as folhas secas vão embora
Eu trabalhei
*
Fiz tudo, todo meu destino
Eu dividi, ensinei de pouquinho
Gostar de si, ter esperança e persistência
Sempre
*
A minha herança para você
É uma flor com um sino, uma canção
Um sonho, nem uma arma ou uma pedra
Eu deixarei
*
A minha herança para você
É o amor capaz de fazê-lo tranquilo
Pleno, reconhecendo o mundo
O que há em si
*
E hoje nos lembramos
Sem nenhuma tristeza
Dos foras que a vida nos deu
Ela com certeza estava juntando
Você e eu
*
E hoje nos lembramos
Sem nenhuma tristeza
Dos foras que a vida nos deu
Ela com certeza estava juntando
Você e eu
*
Achei você no meu jardim

domingo, 2 de novembro de 2008

Pas de deux


navegar é preciso...

sábado, 1 de novembro de 2008

post número 100

............Sem amigos não fazia sentido …
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escondermo-nos debaixo de uma secretária para pregar o maior susto…
comer “sopa dourada” no meio do trabalho
simular um incêndio
dizer as piores e as melhores asneiras
guardar segredos de verdades inteiras
estar à conversa um fim de semana inteiro, e despedirmo-nos dizendo “depois falamos”
ligarmos mesmo a meio da noite
ligarem-nos mesmo a meio da noite
revelar a maior confissão, mesmo a tremer, mesmo a morrer do coração…
não julgar, dizer tudo sempre por amor
não magoar, suportar
não apontar o dedo, dar a mão
acreditar
conter o riso
desmancha-lo nas situações menos apropriadas
cruzar o olhar e dizer tudo
receber os maiores abraços e poder dá-los, sem nada em troca
não precisar de chamar, porque já chegaram
sair a correr e desmarcar tudo
socorrer
convidar sempre para estar, só por vontade
dizer a verdade sempre, e ter a certeza que nunca é partir, é sempre construir
chorar em soluços
ouvir soluçar
ir levar e buscar
trazer de volta o que se emprestou
tornar a emprestar
deixar espaço aberto para perguntar
e aberto para não dizer
e revelar quando apetecer
e nunca ser tarde para dizer
não temer ouvir
ouvir
não fugir
estar
mesmo que seja longe
e ficar perto ...
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sem amigos é que nunca!
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*os amigos têm chegado em diferentes datas, por diferentes caminhos…
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**sobrevivem na verdade e dela se envaidecem
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***tenho mãos cheias de amigos, tão perto de mim…
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****o post número 100 não me diz absolutamente nada... foi simplesmente o trocadilho com o “SEM amigos".

*****os amigos dão-me sorte, na vida!



Beatriz


há músicas assim, mágicas!

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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

sem fim


Eram os dias a preto e branco que agora riscavam os traços mais longos na sua vida. A espera ao vento não a deixava ver sequer os dias mais próximos. Os seu olhos ausentes, escondidos, temiam sempre o pior, sempre o pior… os cabelos voados pela brisa eram agora o mais próximo de si, e os dias cobertos de ânsia desejavam sempre outro rumo, sempre outro, sem fim…
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hoje...

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... estou a ler uma carta, cantada (post anterior)...
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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Love letter

há cartas asim... cantadas.

há músicas assim... escritas.

Cenas da vida conjugal

Marianne (Liv Ullmann) e Johan (Erland Josephson) protagonistas de várias cenas retratadas por Ingmar Bergman. Julgo que passava na dois, há uns bons anos atrás. Na companhia da minha mãe era obrigatório assistir ao admirável dialogo próximo e genuíno. A troca de palavras tão intensa fazia-me sentir dentro da própria acção. Ainda hoje mais do que as palavras me lembro das imagens nelas retratadas. Os movimentos, os olhares, os silêncios e até a respiração que fazia nascer a palavra que faltava dizer ou calar.
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*Gostava de rever … e hoje, descobrir por certo outros “silêncios” que a idade há uns anos atrás não me permitia.
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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

um dia ...

...eu quero ser índio.
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E dizer as cores sem espanto.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

contigo

Trouxe a brisa do mar quando os meus olhos soltaram os sonhos devagar… embaladas ondas desfeitas em rodopio dançaram e os meu olhos fechados. Quando chegavas no teu sorriso embrulhado no meu, desfolhadas em brisa quando juntos, éramos um.
E as palavras circulares trazidas na brisa pousam em canções e poemas só para nós. Se são sonhos, agarrei-os e não mais partem de mim. Se são brisa trazida pelo mar, então amor fecha também os teus olhos assim nos meus, devagar…


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

ontem

Um dia inteiro com o mar pela frente…

...hoje não vai sair coisa boa!


domingo, 26 de outubro de 2008

quase


soltas, presas na mão , palavras de pó de giz, tolas e sem razão...
... é quase sempre por um triz ...
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sábado, 25 de outubro de 2008

Pontes


Robert Kincaid (Clint Easstwood), jornalista fotográfico da National Geographic e Francesca Johnson (Maryl Streep), uma dona de casa do Lowa, tinham uma vida perfeitamente normal, sem altos nem baixos.


Acontece que basta estar vivo... e quatro dias depois de se conhecerem não querem perder o amor que encontraram. Também basta estar vivo!


Chamem-me lá lamechas… mas adoro este filme!

Um dia

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E talvez
seja isso só
doces laços e rodopios
um dia a quererem ser nó

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Onde?


Onde guardamos os nossos segredos?


É lá, no horizonte onde oiço as vozes das pedras a cair…