cantam
notas
de sempre
em mim
quando escuto
os dós de uma pauta
.
a vida nem sempre melódica
também pode ser cantada assim
Mesmo de noite, onde a luz das palavras pode revelar ou o olhar pode dizer e depois amanhecer, clarear...

Um encontro casual, num café perto dos lugares de sempre... eu a Rute, o João e o Pedro estivemos à conversa com a "nossa" Professora de Português, Helena Ramos. Depois de muitos anos, ouvem-se agora os ais de quem se reencontra nas expressões... rugas, cabelos brancos e quilos, são apenas detalhes... as expressões, os risos e o brilho nos olhos ficaram, seguirão vida fora. Só isso importa. Com a mesma vida de quem nos "aturava", recordamos todos os que nunca esqueceremos. Foi um prazer este reencontro onde actualizamos "moradas"... foi um prazer esta revelação, de que o tempo guarda bons momentos, os melhores momentos... senti-me com 14, 15 anos, que saudades ... a vida guarda-nos pequenos prazeres, este foi um deles. O outro, foi ter num post meu, este comentário escrito.
Obrigada, Professora Helena!
Assim estremecem os pés
que caminham para a outra margem
sustendo desejos
no desenho de uma miragem
e nesta espera movediça
teme-se a morte
teme-se a vida
teme-se o amor
como se tudo
fosse a sombra de uma viagem
De dia
caminho assim
rumo ao mar...
de noite
deixo os pássaros
espalharem
nas asas
e no escuro
os sonhos
nas sombras
ainda por toldar

Não importa quantos passos
para lá chegar
nem quantas estradas
escuras
claras
importa o infinito...
não importa quantos ventos
a empurrarem o chão
importa só a tua e a minha mão
não importa quantos lamentos
nem o sal a mais
importa os desalentos desfeitos pelos vendavais
não importa esse silêncio sem ti
nem as paredes por pintar
importa só a voz verdadeira do fundo do mar