soltas, presas na mão , palavras de pó de giz, tolas e sem razão...
... é quase sempre por um triz ...
.
Mesmo de noite, onde a luz das palavras pode revelar ou o olhar pode dizer e depois amanhecer, clarear...

Deambulava-se pela casa, perdida num dos corredores escuros de cinza caída. Era de noite, sempre de noite que no peito as palavras amarradas, presas, asfixiadas em dor, se escapavam no seu jeito perdido de andar passos fora, de braços frios que baloiçavam caídos, nus, à procura… à procura… à procura… e os lábios silenciosos de palavras fechadas, mexiam-se, agitavam-se perdidamente loucos por um beijo… que sabiam… já não encontrar…hoje vou traduzir-me assim...
..Traduzir-se
(Fernando Goulart)
Uma parte de mim
É todo o mundo
Outra parte
Fundo sem fundo
Uma parte de mim
É multidão
Outra parte é estranheza
E solidão
Uma parte de mim
Pesa e pondera
Outra parte
Delira
Uma parte de mim
Almoça e janta
Outra parte
Se espanta
Uma parte de mim
É permanente
Outra parte se sabe
De repente
Uma parte de mim
É só vertigem
Outra parte
Linguagem
Traduzir uma parte
Na outra parte
Que é uma questão
De vida ou morte
Será arte?
Será arte?
Será arte?
Será arte?
Fios de ferro......................não
................................................................querem
ficar
......................................... juntas
........................................................tão
desarrumadas.
Despiu as cores que trazia ao pescoço. Pousou os sonhos numa pedra. Era tempo de olhar com distância. Os caminhos não eram por aqui, nem o mar estava por perto. Com os pés descalços sentiu agora mais do que nunca o inverno chegar. Cada pedra uma palavra. Cada cor o amor. O fio em laço, queria unir, juntar… lembrava então os sonhos que outrora deitados no seu peito, roçavam a outra alma. A outra alma que ouvia. A outra alma. Aquela que um dia se fundira na sua. Uma alma só, tocada por cada pedra do seu colar, agora num sono profundo a não querer mais acordar.
…e começar de novo, mesmo na ilusão, no branco, na luz, devagar... no cheiro, silenciosamente... desfolhando, tocando cada palavra, pousando o livro devagar, dizendo nos lábios baixinho, muito baixinho as palavras sem fim… pousar sentidos, sorrir com eles, lembrar... adivinhar, aqui, ali, em mim, morrer, sonhar… desfolhar sempre, mesmo que na ilusão... e viver, viver, viver…
As ..........palavras..........podem.........ser..........como.Ouves? abraçar as estrelas e chegar aí? sentes? o céu iluminado agora... olha, é para ti!

João Gilberto + Caetano Veloso + Buenos Aires + Ano 2000 = eu queria ter lá estado!
(Acho deliciosa a troca de palavras que antecedem o canto. E é quando se embrulham palavras, voz e sorriso que me desmancho... e neste caso a culpa é do Caetano Veloso!)
*a Joan abriu a porta e o pato voltou a entrar,mas desta vez ela não saiu. Ele, o pato, é que veio em boa companhia. A minha casa está a ficar bem recheada... fiquem para ouvir!
**obrigada Cati, sem ti não havia pato com este recheio todo aqui pousado ...
Chegada ao hipermercado (lembro-me perfeitamente qual mas não quero publicitar, não me apetece…) corri para a zona “artigos de bebé”.
De olhos fechados ela sabia agora que a vida não lhe podia acontecer pela beleza, pelo encanto ou mesmo pelo seu olhar. A vida que ela desejava tinha um caminho maior que não cabia nas coisas que se viam. E até o vestido colorido que vestia não poderia nunca justificar o seu encanto. De olhos fechados ela aguardava serenamente como uma boneca encantada, que o amor chegasse por um outro caminho diferente. Deixou de acreditar na beleza a única voz que ouviu quando se sentiu tão próxima do que achava eterno acontecer. Como uma boneca fechou os olhos e deixou que os corações coloridos do seu vestido vivessem na ilusão que o amor estava ali, nas cores, no encanto do olhar, naquele em que acreditou um dia não por ser belo, mas por ser verdadeiro. Como uma boneca fechava agora os olhos e chamava o tempo na voz, na sua voz, cega.
