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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Era preciso tão pouco ...


Estávamos quase lá, lembras? naquela manhã de chão de unir, eterna manhã... Dizias baixinho o que guardas (ainda) no peito e eu dançava os meus  dedos no teu sorriso,  rasgado no meu...
Trocámos de lugar... eu, eras tu. E tu, eu. Eram os teus pés, ou os meus descalços nos teus? Oiço baixinho o que guardas no peito... não é uma manhã fria que faz o ultimo leito...  e só, por ser preciso tão pouco... tão pouco... 


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Neblina

Naquela manhã jurara não vestir a pele de ser real... enrodilhando os sonhos em cor de rosa claro... permanecendo assim quieta no meio da neblina...



sábado, 19 de fevereiro de 2011

Vou te contar


Guardei numa caixa de madeira todo aquele tempo... como quem guarda uma fotografia, mas que decide não mais a olhar. É o peito que teima, sempre que o cheiro daquela caixa invade o futuro que nunca existiu. A vida que vivi... essa, tem sido uma outra coisa... vou te contar...


sexta-feira, 21 de maio de 2010

Olha, será que ela é moça...

Fico assim a pensar nos dias... ao sabor deste calor. Sentada nesta cadeira onde baloiço a minha alma, oiço os passos neste chão de madeira. Eles falam comigo sempre. Mas só quando quero é que lhes sinto a voz. E hoje quero. Escuto-os como se ouvisse palavras assim pela primeira vez. De mim, para mim. Falo a sós com a voz. E não é que estou a gostar muito do que oiço...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Naufragar

Nos meus sonhos ainda mora a viagem que nunca pensei viver. Passeio pelo convés vazio... silencioso e quente... espreito a terra que os meus cabelos ao vento conseguem avistar. Ponho o braço de fora e mergulho a minha mão no mar... e fico assim quieta... provo o sal dos meus dedos e sinto agora que o rumo de uma viagem assim, não é feito de mar... afinal não é...

quarta-feira, 17 de março de 2010

(A)manhã

Saiu sem dizer nada. Às vezes guarda no silêncio as palavras que calam a vontade de dizer. Esta era uma manhã diferente de todas as outras, nascida de uma cor invulgar, indefinidamente perdida no azul de um céu envergonhado ou coberto de pequenas nuvens. Os seus passos marcam um compasso diferente, nasce assim a música que faz desta uma manhã diferente, um acordar invulgar, único. Ouves agora o que calas? Sorriu, continuando manhã fora...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

De corpo e alma

Passeia na rua com as palavras pela mão, já não as guarda à toa, é que o vento… vagueia devagar na pressa de um outro destino, teimando esquecer o corpo, devorando a vontade de vencer, a alma. Segue… nos passos que o seguram ao chão. Segue… com as palavras perdidas na mão…

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Segurar os dedos todos para conversar

Não se deitava uma única noite sem que as suas mãos segurassem os dedos todos juntos para conversar… o olhar fixo no escuro dos seus próprios olhos desejava o melhor. Sempre o melhor. Um dia percebeu que guardava os outros assim… na vontade de lhes querer bem… nas asas, guardava os segredos… desejos no seu lugar… nunca chegou a saber que era um anjo…

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Cidade

Fixo a linha do teu olhar... e sigo por cima de uma ponte que atravessa o rio largo e azul que nos abraça. É assim esta cidade, a dizer as ruas por onde vamos passear… não vamos de mãos dadas, porque os nossos braços entrelaçados e quietos, aguardam o dia amanhecer…

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Cidade

Fixo a linha do teu olhar... e sigo por cima de uma ponte que atravessa o rio largo e azul que nos abraça. É assim esta cidade, a dizer as ruas por onde vamos passear… não vamos de mãos dadas, porque os nossos braços entrelaçados e quietos, aguardam o dia amanhecer…

domingo, 22 de novembro de 2009

Se eu fechasse os meus olhos agora

Já apaguei as luzes, fechei o gás, deixei os estores a meio, fechei aquela gaveta que fica sempre aberta quando estou por aqui, arrumei os livros que ficam no chão e empilhei os outros que andam na minha mão… tirei a loiça da máquina, reguei as plantas, deixei as portas abertas e as toalhas certas… vou ali e já venho como se fosse partir… há vontades que parecem verdades…

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Branda melodia


Há no silêncio das páginas a vida inteira por ler. Cada frase que respiro fecho os olhos para saber… lembro-me de tudo… o que imaginei vir a ser. Há em cada palavra bocados de mim… estás aí sentado, aqui ao meu lado… tens a vida inteira nas tuas mãos… nós não sabíamos tudo, ninguém sabe tudo… nem sequer esta branda melodia de um dia nos juntar… lemos a vida em silêncio, mas se levanto os meus olhos e fixo o mar… fixas as palavras como se quisesses falar… estás aí, aqui ao meu lado…

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Passeio nocturno

…levanta-se de noite… bamboleando-se pelos corredores descalça… vê que as janelas sem persianas corridas, deixam a luz dos candeeiros entrar... e deixam que a lua ilumine os seus pés e o chão, por onde vai andar… de noite…
... depois espreita pelos vidros... depois abre as janelas... sente então a brisa da noite, suave e intensa... aquela que irá acordar o dia, para nascer... para nascer...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Nós dois

Esperámos tanto tempo por este nosso lugar… sim estamos aqui, mesmo sem saber ainda como tudo aconteceu. Tu e eu, lado a lado, sentados aqui... Vês, os meus olhos castanhos sempre adivinharam o escuro dos teus, e tu por um triz não acreditavas… Viemos de tão longe e nem sabíamos que a única razão éramos nós. Tu de lá, eu dali… chegou agora o momento de estarmos os dois, assim…

sábado, 1 de agosto de 2009

Se alguém perguntar por mim

Nem sequer foi a cor amarela… nunca gostara muito dessa cor… e ainda hoje não sabe dizer o que a levou a sentar-se ali, naquele lugar, de onde através dos vidros, conseguiu perceber que a vida não lhe traz sonhos… Que a vida carregada de expectativas maiores que os dias, se torna em dias impossíveis…. Sobre rodas, caminha agora mais devagar… e vê mais depressa que as cores, mesmo sem ser o amarelo, não são os sonhos, e que os sonhos pintados, não são as cores que mais gostamos…. Agora caminha assim, e sorri à janela quando vê, senão um dia de cada vez…
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*foi das fotrografias até agora que mais gostei de tirar aqui para o Clarear! Porquê? porque gostaram do meu olhar, gostaram de saber o seu destino... e ficamos à conversa... há gente muito simpática! Tudo isto em frente ao mar...

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**boas férias...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Iguana som

O dia cinzento não estava mesmo nada para brincadeiras. Desafiei-o atrevendo-me com passos largos e firmes, nas ruas tortas da vila deserta de medo. O barulho do mar trazia o vento de longe, os meus cabelos diziam… foi quando o meu olhar se prendeu de espanto aos espíritos… era ela que ali estava... ela, que um dia eu havia encontrado por aqui.

sábado, 27 de junho de 2009

Miragem

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Fazia muito calor, entrámos e senti nos teus olhos fixos, medo. O mesmo medo que eu. A penumbra da sala fazia prever... a incerteza. Esperavas e não esperavas que eu sentisse o teu corpo gélido. Mas eu não me aproximei só de ti, e era isso que tu mais temias… o olhar faz perguntas, desembrulha e destapa... e tu já tinhas tanto frio. Olhei-te de frente, ainda que a medo... não esperavas que fosse tanto, e ao mesmo tempo só isso. Olhar-te assim mais perto na penumbra de uma sala escura… depois irias para o teu lugar e eu levaria comigo todas as palavras que não trocámos. Não importa o que não sabes de mim, e eu de ti… ficava naquela sala o resto da minha vida… e não o resto da minha vida a morrer por não saber com o que ficaste de mim…
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sábado, 13 de junho de 2009

Ficamos para lanchar?

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Ficamos? Sim, claro!
E sabemos que prolongando os momentos... os doces instantes, onde se embrulham por querer os sorrisos que se prometem voltar a cruzar, repetidamente… docemente, nos vamos também prolongando… e assim, hoje escolhemos ficar para lanchar…
Ficamos? Claro que sim! Não sabendo ainda, se o dia a seguir, termina numa noite sem fim...
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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sem fim

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Tentou escrever a mesma carta mais de cem vezes. Sabia o que queria dizer, mas também hesitava querer dizer, o que sabia querer tão bem. Escrevia velozmente a fúria... apagava. Escrevia docemente o amor... apagava. Primeiro precisaria de se reconciliar com ela própria, e nunca transpor isso, muito menos escrever isso… rasgou a folha em branco, acendeu um cigarro e saiu. Era já noite, e procurava agora que o escuro lhe devolvesse os seus passos sem fim.
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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Incerteza

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Saí para a rua muito cedo, queria ser a primeira a chegar à livraria onde sempre encontrara o livro mais desejado. Hoje, era um dia muito especial… tinha escolhido aquele livro de poemas, o único que tinha a certeza não conheceres ainda… sabia que ias gostar. Sabia? Um livro de poemas forrado com tecido vermelho, sabia que tu gostavas dos livros vestidos assim, isso eu sabia… com um marcador também vermelho, onde estava gravado o primeiro verso, do primeiro poema, do livro que te ia oferecer. Saí da livraria com o livro nas minhas mãos, e nunca me tinha sentido assim… era como se levasse ao colo a felicidade que eu tanto desejava que tu viesses a sentir. Não estava embrulhado, o livro, como tu gostavas… e como eu passei também a gostar… não sabia ainda com toda a certeza o dia da tua chegada… mas o livro que tinha nas mãos, sabia o desejo que eu tinha, em que ele fosse teu… e era isso, que fazia deste livro, um livro tão especial…
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