Mesmo de noite, onde a luz das palavras pode revelar ou o olhar pode dizer e depois amanhecer, clarear...
sexta-feira, 14 de julho de 2017
Quando é noite...
… há a tua presença ...
essa fonte de luz
que os olhos fechados
deixam ser dia
há em tons amarelados
todos os segundos passados
há na parede rugosa e branca
a cor de cada palavra dita
quando é noite
há sempre esta luz
que não se apaga
nunca
terça-feira, 20 de junho de 2017
sábado, 13 de maio de 2017
The Other Pair
De olhos bem abertos,vinte e cinco crianças, com idades entre os quatro e os cinco anos (os meus alunos), viram esta curta metragem. Num silêncio profundo, presos pela música também das imagens, dos gestos, das palavras não ditas… No final reuni os testemunhos, verdadeiras palavras sábias que me comoveram. Relembro esta observação do P. : "É uma bonita história de amor! Mas também é um bocadinho triste… ". Palavras sábias, sobre as histórias mais bonitas.
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Fim de tarde
No regresso trago o dia de sol, reflexo laranja que o horizonte desenha. Sentada no barco vejo a ria correr num azul teimosamente bonito. É a brisa, ventania inspiradora e quente ou sou eu que a imagino assim sempre tão presente. Deixo devagarinho a outra margem, onde a pressa não cabe em mim. E é fim de tarde sempre que é assim.
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Palavras soltas
quinta-feira, 23 de março de 2017
segunda-feira, 6 de março de 2017
domingo, 19 de fevereiro de 2017
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
Destino ...
… 2017!
Levo momentos, os livros e as melodias, levo as fotografias, levo o meu caderno, levo os segundos, levo paisagens, levo o que passei em outras margens, deixo aquilo que não gostei, levo viagem na minha bagagem, levo os cheiros, as vozes, levo os risos, levo tempo, levo até vento, levo o que guardarei para sempre no meu pensamento… vou!
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
Das árvores ...
… elevam-se os sonhos que os ramos abraçam ...
(e as perguntas que fazemos ao céu, confirmam as sombras inquietas e certeiras)
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
terça-feira, 15 de novembro de 2016
terça-feira, 18 de outubro de 2016
terça-feira, 11 de outubro de 2016
sábado, 1 de outubro de 2016
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
terça-feira, 13 de setembro de 2016
Para fazer feliz a quem se ama
… há o mar
lá atrás
e mais ainda
o horizonte
que os olhos
fechados
alcançam…
é tudo tão perto do peito
e tão longe do olhar
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
sábado, 6 de agosto de 2016
Se é verão...
… então deixa esse ar quente entrar
lembrar
deixa ser uma franja
um fio
de linho
e cor
deixa ser assim
tudo o que o ar quiser
tudo o que restar
de tudo que ficou
do que não partiu
deixa ser assim
mesmo que assim
seja este lado mais devagar…
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terça-feira, 5 de julho de 2016
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Sem comando ...
As escolhas eram menos, talvez maiores. Dizia o meu pai: espera, não carregues já no segundo botão que ainda está a aquecer. Tínhamos uma antena em cima da televisão. Nunca estava no mesmo lugar. Um dia partiu-se e veio outra maior e mais bonita, mas nem por isso mais quieta. Daquele lado a imagem fica melhor. Agora para o outro lado. Às vezes para lado nenhum. Na agenda dos telefones da minha mãe havia uma página dedicada aos arranjos que tinha escrito em maiúsculas, "SENHOR DA TELEVISÃO". Lá vinha o "salvador" de mala na mão, desaparafusar a carapaça enorme da minha querida televisão que mais parecia uma tartaruga. São as válvulas. E eram. Era o hino com a bandeira ao vento e horas de deitar. Eram os festivais da canção com os amigos chegados de Moçambique. Sem comando... e com tanto à nossa volta.
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sexta-feira, 17 de junho de 2016
segunda-feira, 6 de junho de 2016
E enquanto não nasce o dia ...
… a noite adormece assim
com reflexos de vidro
escritos numa parede em branco
como se fosse folha de papel
sexta-feira, 27 de maio de 2016
sábado, 21 de maio de 2016
segunda-feira, 16 de maio de 2016
quinta-feira, 21 de abril de 2016
terça-feira, 12 de abril de 2016
terça-feira, 22 de março de 2016
domingo, 6 de março de 2016
No azul do mar ...
… há um oceano com vista sobre o caminho
de pedra
de sal
de areia
de luz
de lembrança
que não se desfaz
que não adormece
não por ser dia
mas sim por ser prece
quarta-feira, 2 de março de 2016
Onde os livros moram ...
… moram também as frases por dizer ...
E mesmo que eu suba e espreite
ou me vista ao amanhecer
o silêncio de algumas frases
teimam em não se escrever
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Abracadabra
tenho uma casa de medos
onde escondo todos os passos destemidos
e tenho um escuro cinzento
forrado de sonhos adormecidos
e depois tenho pouco mais
dias assim
de horas iguais
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
terça-feira, 24 de novembro de 2015
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
A D. Fernanda
Ninguém gosta de ficar internado. Ou se está doente, ou para lá se caminha, e mesmo quando os filhos vão nascer é uma viagem com desejo rápido de regresso a casa. Mas se tem que ser, e foi o caso, assim seja. Por uma noite. Só uma noite. Não me deu o sono até me pedirem que engolisse de uma só vez dois comprimidos. Fique descansada, são só para ficar meia sonolenta. Comecei logo a pensar: mau...agora vão fazer-me perguntas e eu no embalo ainda respondo segredos meus. Engoli. Seja o que deus quiser. O resultado esperado aconteceu, fiquei sonolenta. Foi então que prometi descansar, e ler até subir para o bloco operatório. Dá-me licença, vai ter aqui uma companhia ao seu lado, diz a enfermeira ao entrar no quarto com um sorriso nos lábios. Olhei, vi uma senhora pousar no chão a sua mala azul de cadeado brilhante, o que me levou logo a crer ser uma mulher prevenida. E pensar eu que devia ter arranjado um cadeado para a minha pequena mochila... Não está com cara de doente?! Não, não, é coisa sem grande importância. Vimos as duas para o mesmo então, diz a minha companheira de quarto. "Companheira de quarto" é uma expressão tão militar, nunca fui à tropa mas sinto-a assim. Pois, disse eu. É a vida, diz a D. Fernanda. Mulher de cabelo vermelho, grande porte, voz clara e com tom bastante audível. A minha filha é que devia estar aqui, mas desteta hospitais. Foi desde o pai, mas eu digo-lhe: Carla tens que ultrapassar isso na tua ideia. A minha Sandra é diferente, essa vai logo onde tem que ir. E tem que ser assim, não acha? sim, sim, claro. Sentada na minha cama, marco o livro com os meus óculos e fico a olhar para esta mulher que fala enquanto olha pelo vidro e deixa o cotovelo entregue ao parapeito da janela. O pai era muito amigo delas, continua... e bom homem que era. Trabalhou a vida inteira atrás de um balcão. O patrão até dizia que ele não era um empregado, ele era um filho da casa! Coitadinho, sofreu dois meses e depois olhe...ficamos cá nós. Quando me pediu em casamento é que foi, o que ele afinou com o meu pai: "então você é o tal rapaz que trabalha no rei das peúgas?" O que ele foi dizer ao meu marido, uma vida a trabalhar no rei das meias, um orgulho para ele e para nós(risos). E o avô que ele era... as netas adoram-no. O que me salva é o trabalho, são as minhas colegas e as netas e isso... A D.Fernanda foi falando, eu fui ouvindo , o seu olhar parava lá fora quando falava do marido que perdeu há dois anos, mas que toda a vida se lembra estar a seu lado. As netas, as colegas do seu trabalho, até do genro da filha mais nova... ainda sorrimos as duas, ainda lhe disse algumas das minhas parvoíces. Voltamos a sorrir. Quando voltei ao quarto a D. Fernanda já tinha saído. Não lhe desejei as melhoras e a ultima vez que nos cruzamos foi quando eu saí do bloco operatório e ensonada lhe desejei boa sorte. Gostei tanto de conhecer a D.Fernanda! Foi só uma noite, coisa sem importância.
terça-feira, 3 de novembro de 2015
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
sábado, 17 de outubro de 2015
Recantiga
...
E era as folhas espalhadas, muito recalcadas do correr do ano
A recolherem uma a uma por entre a caruma de volta ao ramo
E era à noite a trovoada que encheu na enxurrada aquela poça morta
De repente, em ricochete, a refazer-se em sete nuvens gota a gota
Era de repente o rio, num só rodopio a subir o monte
A correr contra a corrente assim de trás para a frente a voltar à fonte
Um monte de cartas espalhadas des-desmoronando-se todo em castelo
E era linha duma vida sendo recolhida de volta ao novelo
Era aquelas coisas tontas, as afrontas que eu digo e que me arrependo
A voltarem para mim como se assim tivessem remendo
E era eu, um passarinho caído no ninho à espera do fim
E eras tu, até que enfim, a voltar para mim.
domingo, 11 de outubro de 2015
E depois o sol vai dormir...
É sempre assim quando chegamos da praia, as conversas entre amigos sentam-se aqui. Os mesmos risos, que sabemos de cor... as piadas sempre tão disparatadas, inesperadas, inesgotáveis, únicas. Cada piada tem uma voz diferente. Não somos todos iguais. As cadeiras vão ficando ocupadas, na cozinha está o jantar. Vais tu ver o lume? deixa, eu vou. Ouve-se um grito, mais um susto para nos fazer rir. Mais gargalhadas. Agora a sério, querem saber... sentimos nos olhares o silêncio esperado, mas que se quebra com mais sorrisos. É sempre assim... com os amigos do coração, é sempre assim. E depois o sol vai dormir...
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domingo, 4 de outubro de 2015
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Floresta
... há um caminho de árvores verdejantes, que nos conduz. E depois ouvimos o que o vento toca nas folhas para dizer do chão, e dos pássaros que voam, e dos nossos segredos, que entoam ramos e galhos... Não partas. Pode ser por ser manhã. Não partas. Pode ser uma manhã...
sábado, 19 de setembro de 2015
13 velas
"Mãe, no meu dia de aniversário gostava de estar com os meus amigos e família!"
*Estes são os momentos que mais gostamos de abraçar. Assim será :)
**Parabéns meu querido filho Duarte!
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quarta-feira, 9 de setembro de 2015
terça-feira, 11 de agosto de 2015
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Tão perto...
... vejo os teus olhos
apenas nos meus
num cruzamento distante
desse momento errante
vejo os teus olhos apenas nos meus
e depois
só depois
o arrepio...
a dizer
a importância que tem
esse teu olhar
vejo os teus olhos apenas nos meus
tão perto
tão perto
quinta-feira, 23 de julho de 2015
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Insónia
Quando
a imagem
aparece
deitada
nos meus olhos
fechados
e eu abro mão
do escuro
até ser
manhã
a imagem
aparece
deitada
nos meus olhos
fechados
e eu abro mão
do escuro
até ser
manhã
quarta-feira, 10 de junho de 2015
quarta-feira, 27 de maio de 2015
terça-feira, 19 de maio de 2015
Do lado de cá ...
... mora a paisagem que se avista dentro de mim
e depois lá fora
há uma planície de cores espalhadas
e de campos plantados
que os meus olhos ouvem
e que os meus pés pressentem
do lado de cá...
(e é assim que adormeço ao acordar)
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quarta-feira, 13 de maio de 2015
sábado, 18 de abril de 2015
50 cêntimos
Mãe, hoje deram-me cinquenta cêntimos a mais na venda das rifas dos escuterios. Estava um rapaz a tocar na rua e eu estive a ouvir. Gostei e deixei-lhe a moeda dentro de uma caixa que tinha à sua frente. Ele sorriu para mim e perguntou-me se eu queria ouvir alguma canção em particular. Disse-lhe que não (envergonhado este meu filho). Perguntou se eu sabia tocar viola e se queria tocar alguma coisa. Toquei (pouco envergonhado este meu filho). Sabes o que aconteceu? a caixa ficou com mais moedas, e à nossa volta mais pessoas!
*com a devida autorização do meu menino envergonhado, aqui ficam os sorrisos registados!
** gosto de melodias assim... gosto mesmo!!
terça-feira, 7 de abril de 2015
Quando nos olhos nasce a neblina de um vulto a passar assim...
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